O mês de março, marcado por reflexões sobre a luta e os direitos das mulheres, terminou com dados alarmantes em Mato Grosso do Sul. Ao todo, quatro mulheres foram vítimas de feminicídio no período, elevando para oito o número de mortes registradas apenas no primeiro trimestre de 2026.
O número representa um aumento de 100% em relação ao mesmo período de 2025, quando dois casos foram registrados no mês de março. Neste ano, as ocorrências foram registradas nos municípios de Ponta Porã, Anastácio, Paranhos e Selvíria.
As vítimas foram identificadas como Liliane de Souza Bonfim Duarte, de 52 anos; Leise Aparecida Cruz; Ereni Benites, de 44 anos; e Fátima Aparecida da Silva, de 58 anos. Todas tiveram suas vidas interrompidas de forma violenta, em crimes ocorridos, em sua maioria, dentro das próprias residências.
Os casos apresentam um padrão recorrente: os autores eram pessoas próximas às vítimas, como companheiros ou familiares. As agressões envolveram diferentes formas de violência, incluindo asfixia, golpes com objetos e até o uso de fogo.
Entre os crimes, destaca-se o assassinato da indígena Ereni Benites, encontrada carbonizada no Dia Internacional da Mulher, em Paranhos. Já em Ponta Porã, Liliane foi brutalmente agredida pelo marido e não resistiu aos ferimentos dias depois.
Antes disso, outros quatro feminicídios já haviam sido registrados entre janeiro e fevereiro, nas cidades de Bela Vista, Corumbá, Coxim e Três Lagoas.
Os dados reforçam a gravidade da violência de gênero no Estado, especialmente em contextos de violência doméstica, onde o lar — que deveria ser um espaço de proteção — se torna cenário de crimes.
O que é feminicídio
O feminicídio é caracterizado como o assassinato de mulheres em razão de sua condição de gênero, geralmente associado à violência doméstica, familiar ou ao menosprezo à condição feminina. A tipificação passou a integrar a legislação brasileira em 2015, como forma de dar maior visibilidade e rigor à punição desses crimes.
Onde buscar ajuda
Em Campo Grande, a Casa da Mulher Brasileira oferece atendimento 24 horas, reunindo serviços como Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Defensoria Pública, apoio psicológico e assistência social.
Além disso, vítimas ou testemunhas podem buscar ajuda pelos seguintes canais:
- 180 – Central de Atendimento à Mulher (24h, gratuito e anônimo)
- 190 – Polícia Militar (emergências)
- 153 – Guarda Municipal



