A Polícia Militar de São Paulo publicou, nesta quinta-feira (2), uma portaria que determina a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente sob suspeita de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana.
De acordo com a corporação, a aposentadoria ocorreu a pedido do próprio oficial e segue critérios legais relacionados à idade, garantindo vencimentos integrais. Antes da prisão, o salário bruto do tenente-coronel era de R$ 28,9 mil. Com a proporcionalidade, o valor da aposentadoria deve ficar em torno de R$ 21 mil.
Mesmo com a ida para a reserva, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o oficial segue respondendo a um processo administrativo que pode resultar na perda do posto e da patente. A medida continua válida independentemente da aposentadoria.
O caso é investigado como feminicídio e fraude processual. Segundo as apurações da Polícia Civil de São Paulo, há indícios de que o tenente-coronel tenha forjado a cena do crime para simular o suicídio da esposa, que foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal, na região do Brás, área central da São Paulo.
Inicialmente, o oficial afirmou que a companheira teria tirado a própria vida após uma discussão. No entanto, laudos periciais e a reprodução simulada do crime contestaram essa versão, indicando que a vítima pode ter sido assassinada.
As investigações também apontam que o celular da vítima teria sido manuseado após o disparo, com exclusão de mensagens trocadas entre o casal no dia anterior, incluindo conversas sobre separação. Os dados foram posteriormente recuperados pela polícia.
Depoimentos de testemunhas e colegas de trabalho indicam ainda um histórico de comportamento agressivo por parte do oficial. Relatos mencionam episódios de violência física e atitudes consideradas controladoras dentro do ambiente profissional.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, as provas reunidas — incluindo laudos, mensagens e imagens — reforçam a hipótese de feminicídio, descartando a versão de suicídio.
O tenente-coronel está preso desde o dia 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes. O caso deve ser encaminhado à Justiça comum e pode ser julgado pelo Tribunal do Júri. Em caso de condenação, o Ministério Público pede o pagamento de indenização mínima aos familiares da vítima.
A defesa nega as acusações, sustenta que não houve crime e afirma que o oficial tem colaborado com as investigações. O Superior Tribunal de Justiça já negou um pedido de liberdade apresentado pelos advogados.



