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Segunda, 19 de outubro de 2020

Obras para evitar erosões em estradas vicinais e lavouras são retomadas em Bonito

As intervenções são executadas com orientações técnicas para evitar o surgimento de processos erosivos que carreiem sedimentos aos rios

02 de Mai 2020 - 09h:55 Créditos: Redação
Crédito: Divulgação

Após breve interrupção devido à pandemia da Covid-19, as obras de adequação das estradas vicinais de Bonito e região para evitar o surgimento de processos erosivos foram retomadas. A força tarefa que visa proteger e garantir a qualidade do solo e das águas envolve a Semagro (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar), através das vinculadas Agraer e Imasul; a Agesul, Prefeitura de Bonito, produtores rurais e entidades da sociedade civil.

“Estamos concentrados na drenagem das estradas, trabalhando no trecho de 17 quilômetros da estrada que liga Bonito à Fazenda São Geraldo. Esse trecho tem relação direta com a cabeceira do Rio Formoso e os afluentes Rio sucuri e Formozinho”, explicou o técnico do escritório da Agraer em Bonito, Paulo Gimenes.

O problema

As intervenções – tanto em estradas vicinais quanto em lavouras da região – são executadas com orientações técnicas para evitar o surgimento de processos erosivos que carreiem sedimentos aos rios, causando o turvamento das águas, como ocorreu no verão de 2018/2019 e causou forte impacto no setor turístico. Desde então, o Governo do Estado, sob coordenação da Semagro, e em parceria com as prefeituras, Ministério Público, associações de produtores e organizações não governamentais, executa uma série de medidas para sanar o problema.

Tão logo o problema do turvamento das águas do Rio da Prata foi detectado, no verão passado, técnicos do Imasul, da Agraer e da Agesul estiveram no local fazendo uma pré-análise da situação. “Já nessa visita foram constatadas algumas possíveis irregularidades concernentes ao manejo do solo em propriedades próximas ao rio, e notificamos os proprietários para adotar as técnicas adequadas”, frisou o secretário da Semagro, Jaime Verruck.

Posteriormente, os técnicos percorreram todas as propriedades da região, bem como as estradas vicinais e também o arruamento urbano, identificando pontos de deságua nos leitos dos rios Formoso, da Prata e seus afluentes. Feito esse mapeamento, os trabalhos passaram para a fase de determinar quais eram as intervenções adequadas, considerando o tipo de solo e as particularidades da região.

Esse trabalho de levantamento e orientação aos proprietários rurais sobre o que precisa ser executado na lavoura para evitar a erosão é feito gratuitamente pelos técnicos do Governo do Estado, enquanto equipes da Agesul e das prefeituras se encarregam das medidas corretivas na malha viária.

Orientação técnica


Ainda em janeiro, os engenheiros agrônomos Murilo Olyntho Machado e Gustavo Casoni da Rocha, que trabalham em programa de conservação de solo desenvolvido pela Esalq, a famosa Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da USP (Universidade de São Paulo), juntaram-se ao grupo compartilhando novas técnicas que foram adaptadas para implantar naquela região.

Em março o Governo do Estado publicou no Diário Oficial o Decreto 15.197 disciplinando o uso correto do solo na região de Bonito e Jardim. O decreto obriga que os proprietários rurais daqueles municípios apresentem à Semagro um projeto técnico de manejo e conservação do solo e água antes de implantarem novas atividades agrícolas. O decreto foi intensamente discutido com produtores rurais, trade turístico, Ministério Público, entidades civis e prefeituras.

No mesmo Decreto foi criada a Câmara Técnica de Conservação de Solo e Água, vinculada à Semagro, tendo como atribuição a emissão de pareceres e de recomendações técnicas acerca do Projeto Técnico de Manejo e de Conservação de Solo e Água. A Câmara é composta por representante e suplente da Semagro, Agraer, Imasul, Agesul, Famasul, Fundação MS, Embrapa, Prefeitura Municipal de Jardim, Prefeitura Municipal de Bonito.

Nas lavouras

Paralelamente às obras nas estradas, os técnicos orientam os proprietários rurais para que executem intervenções nas lavouras objetivando a proteção do solo. Essas obras, entretanto, só podem ser feitas entre a colheita e o plantio de das culturas. Nesse momento o milho está em pleno desenvolvimento e vai demorar alguns meses ainda para ser colhido.

Há casos em que o produtor deixa de plantar nas margens das estradas, o que possibilita a adequação do solo. Ou em áreas de pecuária em que as obras não apresentam danos relevantes ao pasto. “Nesses casos realizamos o trabalho de adequação da estrada adentrando área de lavoura, com marcação de terraços. Assim fica completo o trabalho na microbacia, diminuindo o impacto na estrada principal e no rio”, completa Gimenes.

Outro ponto em que as máquinas da Agesul concentraram trabalho é na Rodovia Estadual MS-345, que liga Bonito ao município de Anastácio, no entroncamento com a BR-419. Nesse trecho as máquinas estão reforçando as barreiras já existentes para contenção de enxurrada, rebaixando as caixas de infiltração, abrindo canaletas e erguendo e abaulando o leito da rodovia.

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