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Sábado, 19 de junho de 2021

Escola cristã se nega a matricular criança com Síndrome de Down

Felipe foi matriculado na Escola Nazaré, de religião católica, no bairro Jardim Leblon em Campo Grande

04 de Mar 2021 - 13h:37 Créditos: Linckon Lopes
Crédito: Arquivo Pessoal

Tayana Paniago, professora atuante nas redes de ensino estadual e municipal de Campo Grande há 25 anos, sempre lutou pela inclusão de crianças com deficiência nas escolas, mas acabou sendo vítima de preconceito neste mês de março, envolvendo seu filho Felipe, de 2 anos, que nasceu com síndrome de Down.

A educadora contou ao O Vigilante que procurou a escola, que é cristã e fica no bairro Parati, para colocar seu filho em tempo integral. Tayana explica que foi bem atendida, houve uma visita minuciosa e até valores foram passados.

Porém, o que tudo aparentava estar se encaminhando para um final feliz, se tornou um pesadelo. A mãe de Felipe acabou sendo vítima de preconceito pela não aceitação do filho com deficiência em tempo integral.

Tayana é professora e trabalha nos períodos matutino e vespertino, além do seu filho fazer terapia desde os dois meses de nascimento. Ela explicou a situação para a escola, mas veio a negativa. "A minha indignação foi o preconceito", disse.

Impactada com o episódio, ela relembra que foi difícil encontrar vagas para o filho nesta altura do ano, mas que precisaria por conta das aulas remotas, que voltaram neste mês nas escolas.

"Sempre bati de frente e lutei pela inclusão. E agora passando por uma situação dessa em uma escola cristã", afirmou indignada. "Sempre lutei e amei a inclusão. Fiz muitos projetos para a inclusão", conta sobre sua trajetória.

Tayana explica que, após o episódio, procurou novamente a escola para receber um documento por escrito informando a não aceitação da criança, mas ouviu que tudo não teria passado de um "mal-entendido" e palavras que a caracterizaram como mentirosa.

"Me chamaram de mentirosa e disseram que foi um mal-entendido", relatou. Ela procurou um grupo de mães que também possuem filhos com deficiência numa rede social e expôs a situação, e ficou surpresa com a quantidade de mães que haviam passado por situação semelhante. "As mães sofrem isso diuturnamente. Mas ninguém fala".

Dessa forma, não restou outra opção. Tayana Paniago entrará com uma ação judicial pelo preconceito e também pela acusação de calúnia.

"Se ela [diretora] se retratasse, a gente parava por aí. Agora não, ela me chamou de  mentirosa, falando que eu não soube interpretar".

E o Felipe foi matriculado na Escola Nazaré, de religião católica, no bairro Jardim Leblon.

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