Crédito: Bruzo Rezende A possível retomada do fenômeno climático El Niño ao longo de 2026 acende um alerta em Mato Grosso do Sul para o aumento do risco de incêndios florestais, especialmente em biomas sensíveis como o Pantanal, o Cerrado e a Mata Atlântica. O fenômeno altera o regime de chuvas, eleva as temperaturas e intensifica a atuação dos ventos, criando condições favoráveis à propagação do fogo.
De acordo com o Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul (Cemtec), o Estado já enfrenta impactos diretos do El Niño, como temperaturas acima da média e irregularidade nas precipitações. A previsão indica que o inverno de 2026 pode ser mais quente que o normal, agravando o cenário durante o período seco.
A meteorologista Valesca Fernandes, do Cemtec, explica que, apesar de o trimestre entre fevereiro e abril apresentar condições de neutralidade climática, há indícios de retorno do El Niño no segundo semestre. Esse comportamento pode provocar ondas de calor e redução da umidade do ar, fatores que aumentam significativamente o risco de incêndios florestais.
O monitoramento climático é realizado em 48 municípios, com dados integrados da Semadesc, do Inmet, da Agência Nacional de Águas e do Cemaden. Embora algumas cidades tenham registrado volumes de chuva acima da média desde fevereiro, o alerta permanece devido ao déficit hídrico acumulado nos meses anteriores.
A projeção do Cemtec aponta ainda que o próximo período seco deverá ser marcado por chuvas irregulares e abaixo da média histórica, reforçando a necessidade de ações preventivas. Diante disso, o Governo do Estado mantém um plano estruturado de resposta rápida, que inclui atuação terrestre e aérea do Corpo de Bombeiros, uso de aeronaves em áreas de difícil acesso e apoio tecnológico.
Ferramentas como drones e sistemas de georreferenciamento têm sido fundamentais para identificar focos de calor e otimizar o combate às chamas. Os resultados dessas estratégias ficaram evidentes na Operação Pantanal 2025, que registrou redução expressiva tanto no número de focos quanto na área atingida pelo fogo.
No último ano, cerca de 202,6 mil hectares foram queimados no Estado, número significativamente inferior ao de 2024, quando as chamas consumiram mais de 2,3 milhões de hectares. A queda é atribuída à combinação de prevenção, resposta rápida, integração entre instituições e maior conscientização da população.
Outro fator determinante foi o fortalecimento das equipes em campo. Quase mil brigadistas foram capacitados, além da instalação de bases avançadas no Pantanal, o que reduziu o tempo de resposta às ocorrências. Durante a fase operacional, os Bombeiros monitoraram 924 eventos detectados por satélite e atuaram diretamente em 88 deles, totalizando mais de mil ações de combate.
Segundo o subdiretor de Proteção Ambiental do Corpo de Bombeiros, major Eduardo Teixeira, a presença constante das equipes permitiu, em diversos casos, o controle dos incêndios antes mesmo da detecção pelos sistemas de monitoramento, garantindo maior eficiência na proteção dos biomas sul-mato-grossenses.



