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Quarta, 25 de fevereiro de 2026

Remédios emagrecedores ilegais transformam MS em corredor de risco à saúde

Falta de rastreabilidade e contrabando preocupam autoridades e o Conselho Regional de Farmácia.

05 de fev 2026 - 14h:39 Créditos: Redação com informações do MídiaMax
Crédito: Divulgação, Vigilância Sanitária

A ausência de rastreabilidade de medicamentos emagrecedores ilegais transformou Mato Grosso do Sul em um verdadeiro “corredor de risco” para a saúde pública, segundo alerta do Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul (CRF-MS). Produtos contrabandeados, falsificados ou sem qualquer controle sanitário entram no Brasil pelas fronteiras do Estado, colocando consumidores em situação de vulnerabilidade.

Enquanto os medicamentos regularizados seguem um rigoroso sistema de controle — com registro na Anvisa, número de lote, nota fiscal e monitoramento desde a fabricação até a venda — os produtos ilegais circulam sem qualquer garantia de procedência, armazenamento adequado ou segurança. A situação mobiliza forças como Receita Federal, Polícia Civil, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, que realizam operações frequentes para coibir crimes de contrabando e descaminho.

A presidente do CRF-MS, Daniely Proença, alerta que a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras” tem ampliado os riscos, principalmente quando utilizadas sem prescrição e acompanhamento profissional. Segundo ela, esses medicamentos atuam como análogos de hormônios produzidos pelo intestino, como o GLP-1, afetando diretamente o cérebro — ao aumentar a sensação de saciedade — e o estômago, ao retardar o esvaziamento gástrico.

Mesmo quando adquiridos legalmente, esses remédios podem causar efeitos colaterais como náuseas, vômitos, diarreia ou constipação severa. Em situações mais graves, há risco de pancreatite aguda, problemas na vesícula biliar, desidratação intensa e perda significativa de massa muscular, o que pode levar à redução do metabolismo e ao conhecido efeito rebote. Sem orientação médica e farmacêutica, o uso é considerado uma decisão de alto risco.

No caso do mercado ilegal, os perigos se multiplicam. Além da falta de rastreabilidade, muitos desses produtos são transportados sem refrigeração adequada — quando deveriam ser mantidos entre 2 °C e 8 °C — e podem não conter o princípio ativo informado na embalagem. Há ainda marcas proibidas pela Anvisa, sem qualquer registro ou controle de fabricação, vendidas em sites, tabacarias e redes informais.

Segundo o coordenador de fiscalização do CRF-MS, Clayton Godoy, grande parte desses medicamentos tem origem no Paraguai. Ele ressalta que ações conjuntas com a Vigilância Sanitária e a Anvisa são essenciais para impedir que produtos de procedência desconhecida cheguem aos consumidores, sem qualquer garantia sobre sua composição ou segurança.

Entre segunda-feira (2) e quarta-feira (4), uma operação realizada em Campo Grande apreendeu cerca de 800 medicamentos emagrecedores ilegais, avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão. A força-tarefa reuniu Anvisa, Correios, CRF-MS e Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde.

Durante a fiscalização, foram encontradas canetas e ampolas de retatrutida e tizerpatida das marcas TG e Lipoless. De acordo com o gerente do Sistema Estadual de Vigilância Sanitária, Matheus Pirolo, a apresentação sofisticada desses produtos pode enganar consumidores. Ele destaca que a retatrutida não é reconhecida oficialmente por nenhuma agência reguladora no mundo e é comercializada de forma clandestina, com falsa indicação de origem em países como Alemanha e Reino Unido.

Sem reconhecimento por autoridades sanitárias internacionais e com relatos de efeitos adversos graves, os medicamentos reforçam o alerta das autoridades sobre os riscos do consumo de produtos sem controle, procedência e rastreabilidade.

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