O governo dos Estados Unidos alterou sua denúncia contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, revisando a acusação de que ele liderava o chamado Cartel de Los Soles. A nova versão do documento, divulgada pelo Departamento de Justiça, não mais afirma que Maduro comanda uma organização criminosa centralizada, como era alegado anteriormente. A mudança, que representa um recuo em relação ao discurso adotado durante a administração Donald Trump, reflete uma mudança de abordagem nas acusações contra o líder venezuelano.
Em 2020, sob Trump, Maduro foi acusado de ser o chefe de um cartel narcoterrorista com atuação internacional. No entanto, a versão atual da acusação descreve o presidente venezuelano como alguém que integra e mantém um ambiente de corrupção relacionado ao tráfico de drogas, sem atribuir a ele a liderança direta de uma organização criminosa.
O que mudou na acusação?
A alteração na acusação ocorreu após uma operação militar autorizada por Trump, no sábado (3), que culminou na detenção de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, em Caracas. A operação, que gerou reações fortes de governos latino-americanos, acirrou ainda mais a crise diplomática entre os Estados Unidos e a Venezuela.
Agora, a expressão Cartel de Los Soles aparece na denúncia apenas para caracterizar práticas ilícitas associadas aos membros da elite política e militar da Venezuela. A acusação revisada passa a destacar o uso do narcotráfico como ferramenta para o enriquecimento e manutenção de um sistema de poder baseado em corrupção e clientelismo.
A reação de Washington e o contexto internacional
Apesar do tom mais cauteloso adotado na nova denúncia, o governo dos Estados Unidos mantém a classificação do Cartel de Los Soles como uma organização terrorista. Isso permite a imposição de sanções econômicas e justifica ações legais contra alvos vinculados ao governo venezuelano. Além disso, Washington alega que o Cartel de Los Soles tem ligações com organizações criminosas internacionais, como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa.
Essa reformulação no discurso de acusação e a ampliação das sanções refletem um ajuste nas estratégias políticas e jurídicas dos EUA, mas continuam a pressionar o regime de Maduro, que enfrenta forte isolamento internacional e crescente crise interna.



