O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (5), durante entrevista à NBC News, que os EUA não estão em guerra com a Venezuela. "Não, não estamos (em guerra)", disse Trump. "Estamos em guerra com quem vende drogas. Estamos em guerra com quem esvazia suas prisões em nosso país, com seus viciados em drogas e com seus hospitais psiquiátricos", declarou, referindo-se a um discurso mais amplo sobre políticas internas e externas de combate ao tráfico de drogas e à criminalidade.
Questionado sobre a possibilidade de uma nova eleição na Venezuela, após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro, Trump descartou a ideia de uma eleição no curto prazo. "Primeiro precisamos consertar o país. Não dá para ter eleição. Não há a menor chance de as pessoas sequer votarem", afirmou, indicando que o país precisaria de tempo para se recuperar antes de considerar qualquer processo eleitoral.
Reconstrução da infraestrutura venezuelana
Durante os 20 minutos de entrevista, Trump mencionou que os EUA poderiam subsidiar um esforço das empresas petrolíferas para reconstruir a infraestrutura energética da Venezuela, uma tarefa que, segundo ele, poderia ser concluída em menos de 18 meses. "Acho que podemos fazer isso em menos tempo, mas vai custar muito dinheiro. Uma quantia enorme terá que ser gasta, e as companhias petrolíferas vão gastar, e depois serão reembolsadas por nós ou através da receita", explicou o presidente.
Trump também destacou o grupo de autoridades americanas que irá supervisionar o envolvimento dos EUA na Venezuela, incluindo o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, o vice-chefe de gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, e o vice-presidente, JD Vance. Quando questionado sobre quem estaria no comando final, ele respondeu: "Eu".
Delcy Rodríguez toma posse como presidente interina
Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Nicolás Maduro, assumiu a presidência interina da Venezuela nesta segunda-feira (5), durante uma cerimônia no Parlamento. Em seu discurso, Delcy criticou a ação militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura de Maduro e sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3). "Venho com tristeza pelo sofrimento infligido ao povo venezuelano após uma agressão militar ilegítima contra a nossa pátria", afirmou Delcy, tratando a prisão do casal como um "sequestro" e chamando Maduro e Flores de heróis.
Delcy Rodríguez foi empossada por seu irmão, Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, e a dupla agora lidera o Executivo e o Legislativo da Venezuela, em um esforço para conduzir a transição de poder no país. Em seu discurso, Delcy também se mostrou disposta a trabalhar com a administração Trump, mas reforçou a crítica à ação militar americana.
Jorge Rodríguez e Nicolás Maduro Guerra também se manifestam
Jorge Rodríguez, irmão da presidente interina, enfatizou a necessidade de unir forças para trazer Maduro de volta ao poder, chamando-o de “irmão” e presidente da Venezuela. Ele também elogiou os "heróis" mortos no ataque militar dos EUA. "Unidos, venceremos", disse.
O filho de Nicolás Maduro, Nicolás Maduro Guerra, também se manifestou publicamente, prometendo apoio incondicional a Delcy Rodríguez. “Conte comigo, conte com a minha família e conte com a nossa firmeza em dar os passos certos nesta responsabilidade que lhe foi confiada hoje”, declarou ele, com a voz embargada, antes de se dirigir ao pai: "A pátria está em boas mãos, pai, e em breve nos abraçaremos aqui na Venezuela."
O governo venezuelano e a resposta internacional
O governo venezuelano procurou, nesta segunda-feira, afirmar sua independência, destacando que o país não está sob controle dos Estados Unidos. Durante uma cerimônia no Parlamento, parlamentares do partido governista, incluindo Nicolás Maduro Guerra, reelegeram o presidente da Assembleia Nacional e continuaram com a programação de posse da Casa para um mandato que vai até 2031.
Em seu discurso, Maduro Guerra alertou para os perigos de normalizar a captura de um chefe de Estado e declarou: "Se normalizarmos o sequestro de um chefe de Estado, nenhum país estará seguro. Hoje é a Venezuela. Amanhã, pode ser qualquer nação que se recuse a se submeter." Ele também exigiu que seu pai e sua madrasta sejam devolvidos ao país e pediu apoio internacional, denunciando ainda ter sido citado como co-conspirador na acusação federal que envolve seu pai e Flores.
Maduro e Cilia Flores enfrentam acusações nos EUA
Enquanto os parlamentares venezuelanos discutiam a situação interna do país, Nicolás Maduro fez sua primeira aparição em um tribunal nos Estados Unidos, onde respondeu às acusações de narcoterrorismo. A administração Trump usou essas acusações como justificativa para a captura de Maduro e sua transferência para Nova York. Durante sua audiência, Maduro se declarou "inocente" e afirmou ser um "homem decente".
Trump, por sua vez, reiterou que os EUA não governariam o dia a dia da Venezuela, mas aplicariam uma "quarentena do petróleo", que já está em vigor, para controlar a exportação de petróleo do país.
Mensagem conciliatória de Delcy Rodríguez
Após as tensões, Delcy Rodríguez afirmou que a Venezuela busca “relações respeitosas” com os Estados Unidos, o que marca uma mudança no tom adotado logo após a captura de Maduro. A declaração veio após ameaças de Trump, que advertiu que ela poderia “pagar um preço muito alto” caso não atendesse às exigências dos Estados Unidos.



