O governo federal confirmou que o leilão para a concessão da ferrovia Malha Oeste está previsto para novembro deste ano. O anúncio foi feito pela ministra do Planejamento, Simone Tebet, e pelo ministro dos Transportes, Renan Calheiros Filho, durante o lançamento da pedra fundamental do ramal ferroviário que ligará o Projeto Sucuriú, da empresa Arauco, em Inocência, à malha ferroviária nacional.
Segundo Simone Tebet, a expectativa é concluir um processo que se arrasta há anos. A ministra afirmou que o governo trabalha para cumprir o cronograma e que o leilão deve ocorrer na B3, em São Paulo, com foco na revitalização do trecho entre Três Lagoas e Campo Grande, considerado estratégico para o desenvolvimento logístico do Estado.
Renan Calheiros Filho destacou que a recuperação da Malha Oeste representa uma mudança estrutural para a logística de Mato Grosso do Sul. De acordo com o ministro, a ferrovia permitirá reduzir o fluxo de caminhões nas rodovias, aumentar a segurança e otimizar o escoamento da produção, especialmente com destino ao Porto de Santos. Ele reforçou que a ferrovia é parte da solução logística do país e não um problema.
O ministro também ressaltou que o leilão atende a uma diretriz do governo federal para reintegrar Mato Grosso do Sul à malha ferroviária nacional. A conexão com a malha paulista deve facilitar a atração de novos investimentos e ampliar a competitividade do Estado. O governo federal prevê um aporte de até R$ 3 bilhões no projeto, sendo vencedor do leilão o grupo que exigir o menor volume de recursos públicos.
O governador Eduardo Riedel afirmou que toda a extensão da Malha Oeste em Mato Grosso do Sul será incluída no leilão, dentro de uma modelagem considerada moderna. Segundo ele, o Estado participou ativamente da construção do projeto ao longo de dois anos, com prioridade inicial para o trecho entre Três Lagoas e Campo Grande. Em etapas posteriores, estão previstos investimentos nos trechos entre Campo Grande e Corumbá e entre Campo Grande e Ponta Porã.
Atualmente, a ferrovia está sob concessão da empresa Rumo, mas apenas cerca de cinco quilômetros entre Corumbá e a fronteira com a Bolívia permanecem operacionais. O restante da malha encontra-se desativado ou sem condições adequadas de tráfego. A previsão do Ministério dos Transportes é de que o novo concessionário invista cerca de R$ 89 bilhões ao longo de 57 anos, sendo R$ 36 bilhões em infraestrutura e R$ 53 bilhões em operação e manutenção.
Para Renan Calheiros Filho, o projeto marca um novo ciclo de investimentos ferroviários no Estado, aproximando Mato Grosso do Sul dos grandes centros logísticos do país e fortalecendo sua capacidade de exportação.



