Um novo termo tem circulado nas redes sociais para se referir a pessoas com mais de 60 anos: “Nolt”. A expressão, derivada do inglês New Older Living Trend (nova forma de viver a maturidade), propõe romper com estereótipos associados à velhice. Fora do ambiente digital, porém, a ideia ainda encontra resistência — e até provoca risadas.
Em ruas centrais da cidade, como a Avenida Afonso Pena e a Rua 14 de Julho, a reação de quem já faz parte da chamada terceira idade foi majoritariamente negativa. Muitos entrevistados afirmaram nunca ter ouvido falar no termo e classificaram a novidade como exagero, modismo ou dificuldade de aceitar o próprio envelhecimento.
A proposta do conceito “Nolt” é afastar a imagem de que ser idoso está ligado à doença, ao tédio ou à inatividade. Defensores do termo rejeitam associações tradicionais, como solidão ou lazer restrito, e defendem uma maturidade ativa, marcada por viagens, estudos, atividades físicas e vida social intensa.
Apesar disso, para muitos idosos, a palavra não carrega conotação negativa. Sentado em um banco da Praça Ary Coelho, jogando dominó com amigos, Roberto Teixeira, de 78 anos, afirmou não ver problema algum em ser chamado de idoso. Para ele, chegar à idade avançada é um privilégio e o novo termo não passa de “frescura”.
Opinião semelhante tem Eunice Catarino, de 70 anos, que considera desnecessária qualquer tentativa de substituição do termo. Ela se define como ativa, saudável e satisfeita com sua rotina, sem enxergar preconceito na palavra idoso. João Ferreira Rosa, de 83 anos, também rejeita a nova nomenclatura e diz que o nome não muda a realidade de quem envelhece.
Já Valmir Medeiros de Souza, de 64 anos, afirma que assumir a condição de idoso faz parte da vida e não impede ninguém de continuar ativo e consciente de suas responsabilidades. Para ele, a discussão reflete mais uma insatisfação com o passar do tempo do que uma real necessidade social.
Enquanto nas redes sociais o debate cresce, nas ruas o termo ainda parece distante de ser incorporado ao vocabulário popular. A dúvida que fica é se “Nolt” vai além de uma tendência digital ou se continuará restrito a um grupo que busca redefinir a forma como a sociedade enxerga o envelhecimento.



