Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados O ex-deputado federal Alexandre Ramagem prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (5), após a retomada da ação penal em que é investigado por suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado. Durante a oitiva, ele negou ter promovido qualquer tipo de monitoramento ilegal de autoridades enquanto esteve à frente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
O depoimento foi conduzido por uma juíza auxiliar do gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. A audiência durou cerca de 45 minutos e contou com perguntas da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da defesa do investigado.
Ramagem afirmou que nunca utilizou nem autorizou o uso do sistema de geolocalização israelense First Mile para fins ilícitos. Segundo ele, o então presidente Jair Bolsonaro jamais solicitou ações de monitoramento, e o contrato com a ferramenta teria sido encerrado em 2021, sendo posteriormente encaminhado para apuração interna.
A ação penal estava suspensa enquanto Ramagem exercia mandato parlamentar, uma vez que os fatos investigados teriam ocorrido após sua diplomação como deputado federal. Com a perda do mandato, declarada no fim de 2025, o processo voltou a tramitar no STF.
Durante o depoimento, o ex-diretor da Abin classificou as acusações como infundadas e afirmou não ter participado de reuniões, articulações ou planos que visassem à ruptura institucional. Ele também declarou que não é citado na delação do tenente-coronel Mauro Cid, apontado como colaborador nas investigações sobre a organização criminosa investigada.
Ramagem ainda negou ter acesso direto ao sistema First Mile e disse que nenhum servidor sob sua gestão estava autorizado a utilizá-lo. De acordo com ele, havia suspeitas de uso indevido da ferramenta por agentes para fins privados, o que estaria sendo apurado internamente à época.
Em parte do depoimento, o ex-deputado optou por exercer o direito ao silêncio. Ele também afirmou que não estava no Brasil durante os atos de 8 de janeiro de 2023, negando qualquer envolvimento ou auxílio às ações criminosas.



