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Terça, 17 de fevereiro de 2026

Recuperação de pastagens transforma a agropecuária de Mato Grosso do Sul

Estado aposta em tecnologia, crédito rural e sistemas sustentáveis para ampliar a produtividade.

06 de fev 2026 - 08h:56 Créditos: Redação com informações do Ponta Porã News
Crédito: Mairinco de Pauda/Semadesc

Mato Grosso do Sul vem registrando avanços expressivos na recuperação de pastagens degradadas e na modernização da agropecuária, com foco em produtividade, sustentabilidade e adequação às exigências dos mercados nacional e internacional. Dados recentes indicam uma redução significativa das áreas com baixo vigor no estado ao longo da última década.

De acordo com levantamento da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), baseado em informações do MapBiomas, as áreas de pastagens degradadas passaram de 6,2 milhões de hectares em 2010 para 2,9 milhões em 2024, o que representa uma queda de aproximadamente 52%. Em 2023, o estado ainda concentrava cerca de 4,7 milhões de hectares passíveis de recuperação, segundo o Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas (PNCPD).

Historicamente, a degradação das pastagens está associada à expansão da pecuária extensiva, marcada por baixa taxa de lotação, manejo inadequado e ausência de correção e reposição de nutrientes no solo. O cenário é agravado pelas características dos solos arenosos e pelos longos períodos de estiagem registrados em diversas regiões.

A redução observada nos últimos anos é atribuída à adoção de novas tecnologias, ao fortalecimento das práticas de conservação do solo e à expansão de sistemas produtivos sustentáveis, com destaque para a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que já supera 3,6 milhões de hectares implantados em Mato Grosso do Sul.

Parte das áreas classificadas como pastagens de baixo vigor está localizada no Pantanal, em campos nativos situados em zonas de uso restrito, protegidas pela legislação ambiental e que não podem ser convertidas. Além disso, análises baseadas em imagens de satélite sofrem influência da sazonalidade, especialmente durante períodos de seca, o que pode interferir na interpretação dos índices de vegetação.

Segundo o secretário da Semadesc, Jaime Verruck, o enfrentamento do problema ocorre por meio de políticas públicas estruturantes e da integração entre governo, produtores rurais e setor produtivo. Um dos principais instrumentos de apoio é o Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO), que destinou, apenas no último ano, mais de R$ 500 milhões para projetos voltados à correção do solo e recuperação de pastagens. Desse total, mais de R$ 180 milhões foram aplicados em reformas de pastagens e cerca de R$ 400 milhões em projetos de correção do solo.

O avanço também é impulsionado por programas estaduais como o PROSOLO, que promove práticas conservacionistas e recuperação da fertilidade do solo; o Precoce MS, que incentiva a produção sustentável de carne bovina; o MS Irriga, voltado ao uso eficiente da água; e o Plano Estadual ABC+, que estimula tecnologias de baixa emissão de carbono.

Com esses investimentos, Mato Grosso do Sul se consolida como referência nacional em sistemas produtivos sustentáveis, conciliando crescimento da produção, preservação ambiental e segurança alimentar.

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