O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investiga denúncias de assédio sexual e moral supostamente cometidas pelo delegado Wellington de Oliveira contra alunas da Academia de Polícia Civil (Acadepol).
O caso está sob análise do Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial, após o recebimento de denúncia anônima. De acordo com o promotor Douglas Oldegardo, ainda estão sendo realizados levantamentos iniciais, uma vez que a denúncia não indicava nomes.
Apesar disso, relatos de alunas apontam episódios de suposto assédio sexual em sala de aula, com questionamentos de cunho íntimo e comentários considerados inadequados. Também há denúncias de assédio moral, com afirmações atribuídas ao delegado que teriam intimidado estudantes.
Segundo as informações apuradas, as denúncias foram inicialmente encaminhadas à direção da Acadepol, que repassou o caso à Corregedoria da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul. Os alunos envolvidos já foram ouvidos pela Ouvidoria da instituição.
O delegado encontra-se de férias e deverá ser ouvido pela Corregedoria. Durante o período, o delegado Clever Fante assumiu a Ouvidoria.
Parte dos alunos criticou o fato de o caso não ter sido registrado na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), permanecendo restrito ao âmbito interno da academia. Também houve críticas de integrantes da própria corporação quanto à condução inicial das denúncias.
Em nota, a Polícia Civil confirmou o recebimento das denúncias e informou que foi instaurado um Auto de Investigação Preliminar (AIP) para apurar os fatos. A instituição destacou que o procedimento segue os princípios do devido processo legal, com garantia de contraditório e ampla defesa.
A corporação também informou que o delegado já concluiu as aulas na Acadepol e não participa atualmente de atividades acadêmicas na instituição.
Procurado, Wellington de Oliveira negou as acusações. Segundo ele, os conteúdos apresentados em sala eram exemplos didáticos relacionados à prática policial e podem ter sido interpretados de forma equivocada. O delegado afirmou ainda que aguarda a conclusão das investigações.



