Menu
Sábado, 07 de fevereiro de 2026

Cachorros e gatos podem ter autismo? Entenda o que diz a ciência

Especialista explica por que o termo é um mito na medicina veterinária.

07 de fev 2026 - 10h:08 Créditos: Redação com informações do Campo Grande News
Crédito: Inteligência Artificial

A dúvida sobre a possibilidade de cães e gatos terem autismo voltou a ganhar espaço nas redes sociais e nos mecanismos de busca, dividindo opiniões na internet. Apesar da popularização do tema, a ciência é clara: não existe comprovação científica de que o transtorno do espectro autista ocorra em animais.

Comportamentos como isolamento, repetição de movimentos, dificuldade de interação e aparente desatenção ao ambiente costumam levar tutores a associarem essas atitudes ao autismo. No entanto, segundo o médico-veterinário Rafael Rodrigues dos Santos Prudêncio, especialista em medicina felina, o uso do termo é inadequado do ponto de vista clínico.

De acordo com o profissional, esses sinais geralmente indicam ansiedade, distúrbios comportamentais, dor crônica ou alterações neurológicas, e não um transtorno do espectro autista. “Na medicina veterinária, a investigação busca identificar a causa real do comportamento, e não rotular o animal”, explica.

Entre os comportamentos mais relatados estão o afastamento excessivo, resistência ao contato físico, movimentos repetitivos — como girar em círculos ou lamber compulsivamente — e episódios de desorientação. Em muitos casos, esses sinais aparecem com mais frequência em animais idosos, estando associados ao envelhecimento e a alterações cognitivas.

O veterinário destaca sintomas comuns nesses quadros, como inversão do ciclo do sono, vocalizações excessivas, dificuldade de reconhecer o ambiente e momentos em que o animal parece “desligado”. Segundo ele, situações assim exigem avaliação clínica detalhada.

Na prática, fatores como falta de estímulos, manejo inadequado, ansiedade, doenças metabólicas ou neurológicas explicam a maior parte desses comportamentos. Ajustes na rotina, enriquecimento ambiental, acompanhamento especializado e, quando necessário, tratamento medicamentoso costumam trazer melhora significativa na qualidade de vida dos pets.

No caso dos gatos, a atenção deve ser redobrada. “Eles tendem a esconder sinais de dor ou doença. Quando demonstram alterações comportamentais, geralmente o problema já está em estágio mais avançado”, alerta Prudêncio.

A recomendação é procurar um médico-veterinário ao notar qualquer mudança no comportamento do animal, garantindo diagnóstico precoce e bem-estar.

Deixe um comentário


Leia Também

Veja mais Notícias