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Sábado, 21 de fevereiro de 2026

Maus-tratos a animais crescem e revelam problema além da crueldade

Especialistas destacam impacto do contágio social e da falta de intervenção precoce.

07 de fev 2026 - 09h:10 Créditos: Redação com informações do MídiaMax
Crédito: Madu Livramento

Casos de maus-tratos e abandono de animais têm ganhado cada vez mais visibilidade em Mato Grosso do Sul, especialmente após episódios de grande repercussão nacional. Somente nas primeiras semanas do ano, ao menos nove ocorrências envolvendo violência contra animais foram noticiadas no Estado, segundo levantamento do Jornal Midiamax.

Para o psiquiatra Eduardo Araujo, especialista em saúde mental, esse aumento não significa que os episódios surgem de forma repentina. De acordo com ele, a ampla divulgação de casos pode desencadear o chamado “efeito de contágio social”, quando pessoas predispostas passam a reproduzir comportamentos violentos ao se identificarem com situações semelhantes.

O médico explica que há diferentes perfis envolvidos nesses episódios. Entre eles, pessoas com impulsos agressivos reprimidos, indivíduos com baixa empatia e aqueles que buscam notoriedade e atenção por meio de atos de violência, inclusive simulando situações para ganhar visibilidade.

Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reforçam esse cenário. Entre 2024 e 2025, o número de novos processos por maus-tratos a animais em Mato Grosso do Sul cresceu 20,35%. As ações se baseiam no artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), que prevê pena de detenção de três meses a um ano, além de multa, para crimes de abuso, ferimentos, mutilações e abandono de animais.

(Fonte: TJMS | Gráfico: IA Generated)

Abandono atinge até animais ‘de raça’

O problema também se estende ao abandono seletivo. Animais considerados “de raça” costumam receber maior interesse para adoção, enquanto vira-latas seguem sendo ignorados. A diretora da ONG Abrigo dos Bichos, Andréa Costa da Silva, confirma essa realidade e relata que a procura por cães de raça chega a ser desproporcional.

Segundo a protetora, essa preferência faz com que muitos animais acabem abandonados quando os tutores percebem que não têm condições de arcar com os cuidados necessários. Ela ressalta que adotar um pet exige responsabilidade, estrutura e conhecimento, especialmente no caso de animais de grande porte ou com necessidades específicas.

Violência contra vulneráveis não acontece “do nada”

O psiquiatra Eduardo Araujo alerta que a violência contra animais está diretamente ligada a padrões de comportamento que também atingem outros grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas em situação de rua. Entre os fatores associados estão transtornos de conduta, transtorno de personalidade antissocial e dependência de álcool e drogas.

Além disso, o histórico de traumas na infância, exposição à violência e ausência de ambientes protetivos contribuem para o desenvolvimento desses comportamentos. Ainda assim, o especialista reforça que crianças e adolescentes que cometem atos cruéis não estão “condenados” a repetir essas atitudes na vida adulta.

Para ele, a chave está na intervenção precoce e no envolvimento coletivo. Família, escola, mídia e sociedade têm papel fundamental na prevenção da violência e na formação emocional saudável de crianças e jovens.

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