Menu
Sábado, 07 de fevereiro de 2026

Pé de galinha vira produto milionário e impulsiona exportações brasileiras

China lidera compras e transforma antigo descarte em negócio lucrativo.

07 de fev 2026 - 12h:05 Créditos: Redação com informações do G1
Crédito: Anna Frodesiak

O que antes era descartado em açougues e frigoríficos brasileiros se transformou em um produto altamente valorizado no mercado internacional. O pé de galinha ganhou status de iguaria e se tornou um dos miúdos mais lucrativos da cadeia avícola, impulsionado principalmente pela demanda da China e, em menor escala, da África do Sul.

A virada começou em 2009, quando a China abriu o mercado para a carne de frango brasileira. Desde então, o subproduto passou a integrar a pauta de exportações do país e ganhou relevância econômica. Apenas em 2025, o Brasil faturou US$ 221 milhões com a venda de pés de frango para o mercado chinês, um crescimento de 9,5% em relação ao ano anterior, segundo dados do Ministério da Agricultura.

A China lidera com folga as compras, pagando cerca de US$ 3 mil por tonelada, enquanto a África do Sul — segundo maior destino — desembolsa aproximadamente US$ 2 mil por tonelada. Mesmo com volume menor, o país africano mais que quadruplicou suas importações em 2025, alcançando US$ 49 milhões.

A valorização também impactou o mercado interno. Em 2026, o preço médio do pé de galinha no atacado chegou a R$ 5,75 por quilo, alta de 41,3% em relação a 2020, de acordo com levantamento do Safras & Mercado. Em alguns pontos do varejo, o produto já foi encontrado por até R$ 14 o quilo.

Além das exportações, o crescimento da indústria pet também contribui para a elevação dos preços. O produto é amplamente utilizado na fabricação de farinhas e rações para animais. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), praticamente todo o volume não exportado é absorvido por esse segmento.

Na China, o pé de galinha é consumido como petisco, vendido pronto, temperado e embalado, inclusive em máquinas automáticas em metrôs e shoppings. Rico em colágeno, também é utilizado para engrossar caldos e sopas. Já na África do Sul, o miúdo é base de pratos populares como o “walkie-talkie”, preparado com cabeça e pé de frango, cozidos e bem temperados, tradição ligada à história e à culinária de resistência do país.

Além da China e da África do Sul, o Brasil exporta o produto para mercados como Hong Kong, Libéria, Serra Leoa, Haiti, Camboja, Moçambique e Guiné, consolidando o pé de galinha como um inesperado protagonista do agronegócio brasileiro.

Deixe um comentário


Leia Também

Veja mais Notícias