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Quinta, 07 de maio de 2026

Expoagro 2026 abre com rodeio, atrações e grandes nomes em Dourados

Festa do Peão integra programação da 60ª Expoagro no Parque de Exposições.

07 de mai 2026 - 10h:23 Créditos: Redação com informações do Contraponto
Crédito: Divulgação

O chão vai tremer a partir desta quinta-feira em Dourados. E, desta vez, a expressão não virá apenas do grito tradicional dos locutores de rodeio anunciando a entrada dos peões na arena. Ela ganha dimensão política dentro de uma Expoagro que, ao alcançar sua 60ª edição, transforma o Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho não apenas em vitrine do agronegócio, mas também em ponto de encontro de um poder cada vez mais misturado entre pecuária, negócios e sucessão presidencial.

Com o governador Eduardo Riedel abrindo oficialmente o evento, a presença de dois presidenciáveis — Ronaldo Caiado e Romeu Zema — e figuras históricas da política sul-mato-grossense ocupando o centro das atenções, como o pecuarista e deputado estadual Zé Teixeira, cujo tradicional leilão desponta como um dos pontos altos da feira, a Expoagro deixa claro que, no Mato Grosso do Sul, o agro há muito tempo também é palco de articulação política.

E, se nos bastidores o tremor é político, na arena ele continua obedecendo à velha liturgia sertaneja que atravessa gerações. Desta quinta-feira até domingo, a poeira volta a subir ao som dos berrantes, das montarias e dos cascos que transformam a Festa do Peão de Boiadeiro em uma das expressões mais tradicionais da cultura agropecuária sul-mato-grossense.

Integrando a programação da 60ª Expoagro, a 41ª edição do evento promete devolver a Dourados aquele ambiente em que competição, espetáculo e identidade regional se misturam naturalmente, reafirmando a força de uma tradição que resiste ao tempo e continua mobilizando multidões no coração do agronegócio brasileiro.

Durante quatro dias, o Parque de Exposições João Humberto de Andrade Carvalho volta a se transformar naquele território onde o interior do Brasil se reconhece sem precisar pedir licença à modernidade. Rodeio em touros e cavalos, provas equestres, laço comprido, team roping, bareback, breakaway roping e os sempre concorridos três tambores prometem devolver à cidade uma atmosfera que mistura adrenalina, memória afetiva e disputa de alto nível técnico.

Serão mais de 400 competidores, entre cavaleiros e amazonas, ocupando a arena e a pista de laço, enquanto cerca de 100 peões participam das montarias válidas como etapa classificatória para a grande final da Festa do Peão de Barretos — a catedral máxima do rodeio brasileiro — e também para o Campeonato Nacional de Rodeio, previsto para dezembro, em Aravé, interior paulista.

Não é pouca coisa. Em um país onde o rodeio se consolidou não apenas como entretenimento, mas como expressão econômica e cultural de uma parte significativa do Brasil produtivo, Dourados ganha protagonismo ao entrar definitivamente no circuito das grandes competições nacionais.

Isso ajuda a explicar o cuidado da organização em profissionalizar cada detalhe do evento. A arbitragem ficará sob responsabilidade de Tião Procópio, nome respeitado no meio, enquanto a cobertura especializada será feita pelo Arena67, canal já conhecido do público sertanejo.

O vice-presidente do Sindicato Rural de Dourados, Michael Araújo de Oliveira, afirmou que a programação abre oficialmente as portas da Expoagro colocando a cidade no centro das principais competições do calendário sertanejo nacional.

O reconhecimento da Confederação Nacional de Rodeio e da Liga Nacional de Rodeios confere peso institucional ao evento e ajuda a atrair atletas de alto nível técnico, elevando o padrão das disputas e reforçando a importância de Dourados dentro desse circuito que movimenta milhões.

A própria Expoagro, que chega à sua 60ª edição, simboliza isso. O presidente do Sindicato Rural de Dourados, Gino Ferreira, destaca que “mais do que uma feira agropecuária, a feira tornou-se uma vitrine onde agronegócio, negócios, política, tradição e entretenimento convivem lado a lado, frequentemente sem fronteiras muito claras”.

Para ele, essa mistura explica a força do evento ao longo do tempo, já que o público encontra ali mais do que máquinas agrícolas ou leilões — encontra pertencimento e identidade cultural.

Por isso, o clima é de expectativa para o início da programação. O som dos berrantes, das montarias, o grito das arquibancadas e a poeira levantada pela arena marcam o retorno de um dos maiores eventos do interior do Brasil.

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