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Sexta, 16 de janeiro de 2026

Acordo entre União Europeia e Mercosul recebe aval provisório do bloco

Decisão amplia acesso do Brasil a mercado de 451 milhões de consumidores.

09 de jan 2026 - 10h:05 Créditos: Redação, com informações do G1
Crédito: REUTERS/Yves Herman

Os países da União Europeia deram sinal verde provisório ao acordo comercial com o Mercosul nesta sexta-feira (9), conforme relataram diplomatas ouvidos pelas agências France Presse e Reuters. A decisão ainda depende da formalização dos votos por escrito, que deve ocorrer até as 17h no horário de Bruxelas (13h no Brasil).

O aval preliminar representa um avanço decisivo para a assinatura do tratado, negociado há mais de 25 anos. Embora conte com apoio de setores empresariais europeus, o acordo segue enfrentando resistência de agricultores, especialmente na França, que veem riscos à produção local.

De forma geral, o pacto prevê a redução ou eliminação progressiva de tarifas de importação e exportação, além do estabelecimento de regras comuns para o comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Caso seja confirmado, o acordo pode resultar na maior área de livre comércio do mundo.

Com o apoio do bloco, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o tratado na próxima segunda-feira (12), durante agenda no Paraguai.

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo amplia o acesso a um mercado estimado em 451 milhões de consumidores. Os efeitos do tratado vão além do agronegócio e devem alcançar também diversos segmentos da indústria nacional.

Negociações iniciadas em 1999

As tratativas entre União Europeia e Mercosul tiveram início em 1999 e, após mais de duas décadas, caminham para a etapa final dentro do bloco europeu. Nesta sexta-feira, o Conselho da União Europeia se reúne em Bruxelas para decidir se autoriza formalmente a aprovação do texto.

Apesar da oposição pública de alguns países, a expectativa é de que a Comissão Europeia consiga reunir apoio suficiente entre os 27 Estados-membros para avançar com o acordo.

Resistência de países europeus

Segundo a AFP, a maioria dos países da União Europeia votou favoravelmente ao acordo durante a reunião de embaixadores em Bruxelas. Para a aprovação, era necessário o apoio de ao menos 15 Estados-membros que representassem, juntos, 65% da população do bloco — critério que teria sido atingido.

A decisão foi tomada mesmo diante da oposição de países como França, Irlanda, Hungria e Polônia, que expressam preocupação com os possíveis impactos do tratado sobre o setor agrícola.

Na véspera da votação, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou que a França votaria contra o acordo, alegando que os benefícios econômicos seriam limitados para a economia francesa e europeia. Agricultores franceses temem a concorrência com produtos sul-americanos, considerados mais baratos e sujeitos a regras ambientais diferentes.

A Irlanda também se posicionou contra o pacto. O primeiro-ministro Simon Harris afirmou que o país não apoia o acordo nos moldes apresentados e se uniu à França e a outros países contrários à proposta.

Itália foi decisiva

A possível mudança de posição da Itália teve papel central no avanço do acordo nesta sexta-feira. A sinalização de apoio por parte do governo italiano reforçou a expectativa de que o tratado fosse destravado.

Fontes do bloco indicaram que Roma votaria favoravelmente, desde que fossem atendidas demandas do setor agrícola. Em dezembro, a primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou que o apoio italiano estaria condicionado à proteção dos agricultores.

Nos últimos dias, a Comissão Europeia enviou uma comunicação propondo acelerar a liberação de 45 bilhões de euros para o setor agrícola, iniciativa classificada por Meloni como um “passo positivo e significativo”. O ministro da Agricultura da Itália, Francesco Lollobrigida, também destacou que a União Europeia passou a discutir o aumento — e não a redução — dos recursos destinados à agricultura italiana no período de 2028 a 2034.

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