O Banco Central comunicou ao Tribunal de Contas da União (TCU) a identificação de graves irregularidades no Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial. As conclusões constam em nota técnica enviada à Corte e compartilhada com o Ministério Público Federal (MPF), apontando a existência de créditos inexistentes, operações sem lastro e indícios de reciclagem de recursos por meio de estruturas financeiras complexas.
De acordo com o BC, foram encaminhadas três comunicações formais ao MPF com indícios de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional envolvendo a instituição controlada por Daniel Vorcaro. As apurações ocorreram tanto antes quanto depois da decretação da liquidação.
O primeiro alerta refere-se à cessão de créditos inexistentes ao Banco de Brasília (BRB), identificada no primeiro semestre de 2025. As investigações indicaram a existência de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito sem lastro, além do uso de documentos falsos apresentados ao regulador. À época, o então presidente do BRB afirmou que cerca de R$ 2 bilhões ainda não haviam sido recuperados.
O segundo comunicado trata de aproximadamente R$ 11,5 bilhões em operações realizadas entre 2023 e 2024 sem garantias adequadas. Segundo informações ligadas às investigações, parte dessas operações envolve fundos que estão sob apuração, alguns deles citados em investigações que analisam possíveis esquemas de lavagem de dinheiro por meio do sistema financeiro.
Embora o Banco Central não tenha detalhado os nomes dos fundos na documentação enviada ao TCU, reportagem do jornal O Tempo aponta que ao menos seis fundos foram mapeados e aparecem em investigações que apuram a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) na economia formal. Os fundos citados são Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna, que juntos somam patrimônio líquido de R$ 102,4 bilhões, segundo dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A gestora Reag Capital, mencionada em apurações conduzidas pela Polícia Federal, negou qualquer ligação com organizações criminosas e afirmou que não há documentos oficiais que comprovem associação ilícita.
Liquidação extrajudicial
Na resposta ao TCU, o Banco Central informou que a liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada após o esgotamento de todas as alternativas possíveis, incluindo monitoramento intensificado, exigências de recomposição de liquidez e tentativas de apoio por meio do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O documento, assinado por diretores das áreas de Fiscalização e de Resolução do BC, destaca que a decisão foi tomada de forma unânime e teve como objetivo preservar a estabilidade do sistema financeiro nacional e proteger os recursos dos depositantes.



