Vídeos que simulam agressões contra mulheres têm circulado nas redes sociais e gerado preocupação entre especialistas e autoridades. A chamada “trend” mostra homens encenando atitudes violentas após serem rejeitados em um relacionamento, o que tem provocado debate sobre violência de gênero e discurso de ódio na internet.
O tema ganhou repercussão no momento em que cresce a preocupação com o aumento de casos de violência contra mulheres no Brasil.
Denúncia ao Ministério Público
A deputada federal Duda Salabert afirmou ter encaminhado denúncia ao Ministério Público para que perfis responsáveis pela disseminação desses conteúdos sejam investigados.
Segundo a parlamentar, a circulação de vídeos com esse tipo de mensagem representa incentivo à violência.
“Esse tipo de conteúdo é apresentado como brincadeira ou liberdade de expressão, mas pode estimular comportamentos violentos contra mulheres”, afirmou.
Ela também defende a aprovação de um projeto de lei que tipifica como crime a misoginia coletiva e coordenada nas redes sociais.
Conteúdos podem configurar crime
Para a advogada criminalista Pamela Villar, publicações que incentivam ou normalizam a violência podem gerar responsabilização criminal.
Segundo ela, caso alguém pratique agressões inspirado em conteúdos desse tipo, tanto o autor da violência quanto quem produziu ou estimulou o material podem ser investigados pela Justiça.
O que é misoginia e “machosfera”
A palavra misoginia refere-se ao ódio ou desprezo contra mulheres. Esse tipo de discurso tem sido associado a grupos da chamada machosfera, termo utilizado para descrever comunidades online que difundem narrativas de hostilidade ou inferiorização das mulheres.
Entre esses grupos estão:
Red pills — movimento que afirma que homens estariam sendo prejudicados pela sociedade moderna
Incels — homens que dizem não conseguir relacionamentos e culpam mulheres ou a sociedade por isso
Especialistas alertam que esse tipo de ambiente digital pode contribuir para a radicalização de discursos e comportamentos violentos.
Debate sobre regulamentação das redes
Atualmente, a retirada de conteúdos pelas plataformas digitais costuma depender de decisões judiciais ou denúncias feitas pelos próprios usuários.
Segundo especialistas em direito digital, a responsabilização direta das plataformas ainda é complexa no Brasil.
Mesmo assim, cresce o debate no Congresso Nacional sobre formas de responsabilizar conteúdos que incentivem violência ou discurso de ódio.
Números preocupam
Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que a violência contra mulheres continua em patamar elevado no país.
1.547 feminicídios foram registrados em 2025
média aproximada de quatro casos por dia
Somente em janeiro deste ano:
131 mulheres foram vítimas de feminicídio
5.200 casos de estupro foram registrados no país
Como denunciar
Casos de violência contra mulheres podem e devem ser denunciados pelo telefone 180, canal nacional de atendimento que funciona gratuitamente em todo o Brasil.



