Menu
Terça, 20 de janeiro de 2026

Acordo Mercosul–UE reacende expectativas do agro em MS diante de restrições da China

Tratado pode ampliar mercados e reduzir dependência das exportações para a China.

10 de jan 2026 - 12h:06 Créditos: Redação, com informações do Midiamax
Crédito: Reprodução/Portal MS

Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia começa a ganhar forma e já impacta as expectativas do setor produtivo brasileiro. Em Mato Grosso do Sul, o tratado é visto como uma alternativa estratégica para ampliar mercados em meio a um cenário internacional marcado por instabilidades e novas barreiras comerciais, como a taxação imposta pela China à carne bovina.

O presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, avalia que o avanço do acordo surge em um momento decisivo para o agronegócio. Desde janeiro de 2026, a China passou a aplicar tarifas adicionais de até 55% sobre volumes de carne bovina que ultrapassem as cotas de importação estabelecidas, o que acende um alerta para estados fortemente exportadores, como MS.

“Estamos lidando com um ambiente internacional mais restritivo, especialmente com a taxação chinesa. Por isso, a abertura do mercado europeu representa uma oportunidade concreta de diversificação e redução de riscos”, afirma Bertoni.

Com forte base no agronegócio, a economia sul-mato-grossense pode se beneficiar do acordo ao ampliar o acesso a novos mercados e diminuir a dependência de destinos tradicionais. Embora o tratado estabeleça limites para produtos considerados sensíveis — como carne bovina, frango e açúcar —, o avanço das negociações já é considerado histórico.

Bertoni lembra que, mesmo após a assinatura, o acordo ainda precisará passar por etapas de validação. “Ainda haverá a análise do Parlamento Europeu e do Congresso Nacional no Brasil. É um processo longo, mas estamos falando de um passo aguardado há mais de 25 anos. A possibilidade de exportar carne para a União Europeia com melhores condições é algo extremamente relevante”, destaca.

Resistência dentro da União Europeia

Apesar do apoio institucional, o acordo enfrenta resistência política, sobretudo de setores agrícolas europeus. A França, sob a liderança do presidente Emmanuel Macron, segue como o principal foco de oposição ao tratado.

Para o senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad (PSD), os argumentos franceses vão além das questões sanitárias. “Existe um receio claro da concorrência com o agronegócio brasileiro. Mesmo assim, dos 27 países da União Europeia, cerca de 20 são favoráveis ao acordo. É com esses parceiros que precisamos avançar”, avalia.

Próximas etapas

O acordo foi aprovado nesta sexta-feira (9) pelo Conselho da União Europeia e tem assinatura prevista para o dia 17 de janeiro, em Assunção, no Paraguai. Caso seja formalizado, o tratado criará a maior zona de livre-comércio do mundo, reunindo aproximadamente 700 milhões de consumidores e um PIB combinado estimado em US$ 22,3 trilhões.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve participar da assinatura oficial. Após isso, o texto seguirá para apreciação do Parlamento Europeu e, posteriormente, para os parlamentos nacionais dos países do bloco, especialmente em pontos que envolvem cláusulas ambientais e técnicas.

Deixe um comentário


Leia Também

Veja mais Notícias