A Justiça determinou a soltura do empresário Antônio Henrique Ocampos Ribeiro, preso em janeiro de 2026 durante operação que apura fraudes em licitações no município de Terenos e em outras cidades de Mato Grosso do Sul. Ele é investigado por suposta participação em esquema que teria restringido a livre concorrência em contratos públicos.
Antônio foi sócio-administrador da empresa Política MS News, apontada nas investigações como uma das envolvidas no suposto conluio. O Núcleo de Garantias de Campo Grande acolheu manifestação do Ministério Público indicando que a empresa teria sido utilizada por outro investigado, Francisco das Chagas Veras do Nascimento, padrasto do empresário.
Segundo a defesa, Antônio foi liberado sem a imposição de monitoramento eletrônico. O advogado Júlio César de Moraes afirmou que irá atuar para que o cliente não seja denunciado formalmente no processo.
Operações investigam fraudes em Terenos
As apurações fazem parte das operações Collusion e Simulatum, deflagradas em 21 de janeiro de 2026 pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e pela Promotoria de Justiça de Terenos, com apoio do BPMChoque.
Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão e 30 de busca e apreensão nas cidades de Terenos, Campo Grande e Rio Negro.
A Operação Collusion investiga suposta organização criminosa que teria fraudado licitações e contratos relacionados a materiais e serviços gráficos firmados com a Prefeitura e a Câmara Municipal de Terenos desde 2021. Já a Simulatum apura possíveis irregularidades em contratos de publicidade e locação de equipamentos de som também ligados ao Legislativo municipal.
Os nomes das operações fazem referência ao modo de atuação investigado: “Collusion” significa conluio, enquanto “Simulatum”, do latim, remete à simulação de concorrência entre empresas.
Suspeita de superfaturamento em revista institucional
Entre os fatos investigados está a contratação, em 2022, de 500 exemplares de uma revista comemorativa pelos 69 anos de Terenos. O material divulgava ações da gestão do então prefeito Henrique Budke (PSDB), que atualmente está afastado do cargo por corrupção.
De acordo com o Ministério Público, a empresa Impacto Mais — em processo de compra pela Dakila Comunicação — teria vencido procedimento de dispensa de licitação com indícios de irregularidades. Cada exemplar foi adquirido por R$ 77,60.
As investigações apontam que três empresas — Impacto Mais, Tops do MS e Política MS — enviaram orçamentos com diferença de apenas um minuto entre si, com textos idênticos, anexos com o mesmo nome e conteúdo semelhante.
Análise dos metadados dos arquivos indicou que os documentos teriam sido criados dias antes da abertura oficial do procedimento, o que reforçou a suspeita de direcionamento e simulação de concorrência.
O caso segue sob investigação do Ministério Público Estadual.



