Crédito: JOSH EDELSON / AFP Show de Bad Bunny no Super Bowl ultrapassa a música e vira símbolo de identidade latina nos EUA
A apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl de 2026 foi além do espetáculo musical e ganhou dimensão histórica ao se tornar um marco de representatividade cultural nos Estados Unidos. Em meio a um cenário de forte polarização política e debates acalorados sobre imigração e identidade nacional, o show foi interpretado como um gesto de afirmação das comunidades latinas no país.
Cantando majoritariamente em espanhol e ocupando sozinho o palco do maior evento esportivo norte-americano, o artista porto-riquenho quebrou paradigmas ao levar a cultura latina ao centro de uma vitrine global. A escolha reforçou a pluralidade cultural dos Estados Unidos, país formado por sucessivas ondas migratórias, mas que ainda enfrenta tensões sobre pertencimento e fronteiras.
A apresentação destacou símbolos das Américas e referências à cultura porto-riquenha, ampliando a discussão sobre identidade ao lembrar que o conceito de “América” vai além dos limites territoriais dos Estados Unidos. Em vez de tratar imigração como estatística ou pauta política abstrata, o espetáculo apresentou rostos, histórias, tradições e cotidiano, promovendo uma narrativa de humanização.
O contexto político contribuiu para ampliar o impacto do show. Em um momento de endurecimento do discurso sobre deportações e controle migratório, a celebração da cultura latina em horário nobre foi vista por apoiadores como um marco de inclusão. Críticos, por outro lado, classificaram a apresentação como excessivamente política.
A repercussão dividida evidenciou o peso simbólico do evento. Para analistas culturais, a performance mostrou como arte e entretenimento podem dialogar com questões sociais sensíveis, transformando o palco em espaço de reflexão sobre dignidade, diversidade e reconhecimento.
Ao fim, o espetáculo consolidou-se como um dos momentos mais emblemáticos da história recente do Super Bowl, ao afirmar que cultura e identidade são partes fundamentais da construção social americana.



