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Sábado, 28 de novembro de 2020

Medidas contra COVID-19 provocam alta dos preços de drogas ilícitas no mundo

As medidas dos governos para combater a pandemia da COVID-19 afetaram todos os aspectos dos mercados de drogas ilegais, da produção e do tráfico ao consumo.

12 de Mai 2020 - 09h:31 Créditos: ONU
Crédito: UNODC/ Ioulia Kondratovitch

Medidas dos governos no mundo todo para conter a pandemia da COVID-19 levaram à interrupção generalizada das rotas de tráfico de drogas ilegais, principalmente por via aérea e terrestre, elevando alguns preços, de acordo com um novo relatório da ONU publicado na quinta-feira (7).

O relatório, sobre as tendências do mercado de drogas durante a crise do coronavírus, publicado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), destacou que muitos países em todas as regiões relataram escassez geral de vários tipos de drogas nas ruas, bem como aumentos de preços para os consumidores e reduções de pureza.

Alguns usuários de drogas estão consequentemente trocando substâncias, por exemplo, passando da heroína para opioides sintéticos, enquanto outros estão buscando mais acesso ao tratamento medicamentoso.

Cocaína

Dados recentes sobre apreensões de cocaína revelaram que grandes remessas do produto continuam sendo interceptadas em todos os principais mercados da América Latina e Europa, afirmou o relatório do UNODC.

Essas apreensões documentam atividade de tráfico transfronteiriço em larga escala e podem ser um indicativo da continuidade do tráfico internacional de cocaína, afirmou.

Na Colômbia, um aumento nos controles implementados nas fronteiras do país parece ter levado a uma redução do tráfico de cocaína por rotas terrestres e um aumento por rotas marítimas, em particular para América Central e Europa. Similarmente, o uso de aeronaves leves aparentemente aumentou, afirmou o documento.

Mas o relatório disse haver indicações de escassez de cocaína fora dos países produtores. Dados dos Estados Unidos indicaram escassez de cocaína nas ruas e informações do Brasil indicam aumentos nos preços no atacado devido à falta de produtos traficados da Colômbia ou do Peru, segundo o documento.

O relatório lembrou que as autoridades brasileiras interpretaram a escassez como sendo causada por uma redução no fornecimento devido às restrições da COVID-19 e uma redução na demanda na Europa.

Na Europa, os lockdown estritos podem ter reduzido drasticamente o consumo de cocaína, já que a droga é frequentemente consumida em ambientes recreativos, como bares e clubes, que atualmente estão fechados na maioria dos países europeus.

Isso, juntamente com opções limitadas de distribuição para o consumidor final, pode ter causado uma interrupção na demanda.

O UNODC afirmou ser possível supor que essa interrupção na cadeia de suprimentos leve os grupos narcotraficantes a armazenarem drogas perto dos países de origem.

Depois que as restrições da COVID-19 forem levantadas, há um risco de o mercado ser inundado com cocaína de baixo custo e alta qualidade, o que poderia levar a um aumento de uso e danos relacionados entre os usuários de drogas.

Outras drogas

Como drogas sintéticas, incluindo a metanfetamina, tendem a ser traficadas pelos continentes por via aérea, as restrições de viagens aéreas e os cancelamentos de voos estão afetando drasticamente a carga ilegal.

Enquanto isso, as apreensões de opiáceos no Oceano Índico ilustram que o impacto da pandemia no lucrativo negócio de heroína, que é contrabandeada principalmente por terra, a leva a ser traficada ao longo de rotas marítimas.

Dado que a maconha é frequentemente produzida perto de locais onde é comprada e vendida, os traficantes da droga – que ainda é ilegal na maior parte do mundo – dependem menos de enviá-la através de regiões e fronteiras que podem estar sob o bloqueio de coronavírus.

Padrões prejudiciais

Com vários países relatando escassez de drogas no varejo, a análise do UNODC projeta uma diminuição geral no consumo recreativo de drogas.

No entanto, uma escassez de heroína, relatada na Europa, no sudoeste da Ásia, na América do Norte e em alguns países da Europa, pode levar os consumidores a usar substâncias nocivas produzidas em seus países.

O UNODC sustentou que alguns usuários podem mudar para o fentanil e seus derivados.

Um aumento da demanda por produtos farmacêuticos, como os benzodiazepínicos, também dobrou seus preços em algumas regiões.

E a escassez de drogas ilícitas está aumentando o número de usuários intravenosos que também compartilham seringas – todos os quais correm o risco de se infectar com vírus de HIV, hepatite C e COVID-19.

"O risco de overdose de drogas também pode aumentar entre aqueles que injetam drogas e estão infectados com COVID-19", segundo o UNODC.

Produção de drogas

As restrições de movimentação por conta da COVID-19 podem prejudicar as produções de opiáceos, enquanto de março a junho é o auge da colheita no Afeganistão.

O documento afirma que uma escassez de papoula já foi observada nas províncias do oeste e do sul do país, principalmente devido ao fechamento de uma passagem de fronteira com o Paquistão.

No caso da cocaína, a escassez de gasolina na Colômbia está impedindo a produção, enquanto na Bolívia, a COVID-19 está limitando a capacidade das autoridades estaduais de controlar o cultivo de coca, o que poderia levar a um aumento na produção.

No entanto, uma queda no preço da cocaína no Peru para os consumidores locais sugere uma redução nas oportunidades do tráfico.

E o relatório indica que, embora isso possa desencorajar o cultivo de coca no curto prazo, a iminente crise econômica pode levar mais agricultores a começar a cultivar coca em todos os principais países produtores de cocaína.

Um colapso do comércio internacional durante a pandemia também pode levar à escassez de suprimentos essenciais para a fabricação de heroína e drogas sintéticas.

No longo prazo, a crise econômica causada pela pandemia da COVID-19 tem o potencial de levar a uma transformação duradoura e profunda dos mercados de drogas, afirmou o relatório do UNODC, argumentando que isso só será totalmente compreendido após mais pesquisas.

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