A Polícia Civil prendeu, na tarde desta terça-feira (13), um dos suspeitos de participar da ocultação do corpo do padre Alexsandro da Silva Lima, de 44 anos, morto em novembro do ano passado durante um latrocínio em Dourados.
De acordo com a investigação, o homem já havia sido detido no dia do crime, mas acabou liberado após audiência de custódia. Com o avanço das apurações, a Justiça decretou a prisão preventiva, que foi cumprida nesta tarde. A informação foi confirmada pelo delegado Lucas Veppo, responsável pelo caso.
Durante depoimento prestado à polícia na época do crime, um dos envolvidos relatou que conheceu o padre por intermédio do ex-cunhado, que tinha 13 anos à época e também teria sido vítima de aliciamento. O jovem, então com 17 anos e trabalhando como servente de pedreiro, afirmou que foi chamado para uma suposta prestação de serviço, mas que, no local, não havia obra. Segundo ele, o padre oferecia valores entre R$ 40 e R$ 100 em troca de sexo oral e costumava buscá-lo em frente à escola utilizando o Jeep Renegade que acabou sendo roubado.
O depoente contou ainda que, no dia do crime, marcou um encontro com a intenção de roubar o veículo, plano que vinha sendo pensado há alguns dias. O carro seria vendido no Paraguai por cerca de R$ 40 mil. Ele afirma que o crime ocorreu após ter sido forçado a manter relação sexual, o que teria motivado a agressão. Pelo encontro, receberia R$ 50.
Segundo a versão apresentada à polícia, o padre foi atacado com golpes de marreta quando saiu para abrir o portão da residência. Mesmo tentando reagir, a vítima foi atingida diversas vezes. Em seguida, um adolescente teria entrado na casa e buscado facas na cozinha, desferindo golpes no pescoço e no peito do padre, que ainda permaneceu agonizando por alguns minutos.
O corpo foi enrolado em um tapete e colocado no porta-malas do veículo, após o deslocamento dos bancos traseiros. O autor relatou que tomou banho na residência, pois estava coberto de sangue, e saiu dirigindo o carro. O celular da vítima foi descartado próximo a um terreno baldio, nas imediações do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS). A polícia localizou os suspeitos quando eles retornavam ao local para tentar recuperar o aparelho.
Sobre a ocultação do corpo, o jovem afirmou que contou com a ajuda de outros envolvidos. Um adolescente teria auxiliado na tentativa de venda do veículo, enquanto namoradas dos suspeitos ajudaram a limpar a casa. O grupo circulou pela cidade em busca de um local para abandonar o corpo e, durante a madrugada de sábado (15), decidiu deixá-lo nas proximidades do distrito industrial. No trajeto, o carro apresentou um pneu furado, que precisou ser trocado em uma borracharia.
O autor alegou arrependimento e disse que pretendia apenas roubar o veículo. Informou ainda que o adolescente teria furtado objetos da residência e que já possuía histórico policial por violência doméstica. O menor envolvido, por sua vez, negou participação direta no homicídio, afirmando que o padre já estava morto quando chegou ao local e que desconhecia o plano de roubo do carro.



