Crédito: Reprodução O Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) prendeu, na Flórida, o ex-agente da repressão chilena Armando Fernández Larios, condenado por crimes cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet. A detenção ocorreu em outubro do ano passado, mas foi divulgada oficialmente apenas neste ano pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA.
Larios foi localizado em Fort Myers, cidade situada a cerca de 250 quilômetros de Miami. O nome dele integra uma lista de 42 cidadãos chilenos apontados como envolvidos em violações de direitos humanos.
Ex-oficial do Exército, Larios participou do golpe militar de 11 de setembro de 1973, que culminou na deposição do presidente Salvador Allende e na instalação do regime que governou o Chile por 17 anos. Segundo o Centro para a Justiça e a Responsabilidade (CJA), ele integrou a chamada “Caravana da Morte”, operação militar responsável por execuções de presos políticos no norte do país.
Posteriormente, passou a atuar na Diretoria de Inteligência Nacional (Dina), órgão de repressão criado em 1974 e vinculado a sequestros, torturas e assassinatos de opositores do regime.
De acordo com a Human Rights Watch, Larios deixou o Chile em 1987 após firmar acordo judicial relacionado ao assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier e de sua assistente, Ronni Moffitt, mortos em 1976 em Washington após atentado com explosivo. Pelo acordo, ele cumpriu cinco meses de prisão e passou a residir nos Estados Unidos.
Em 2003, um júri da Flórida o condenou ao pagamento de US$ 4 milhões por tortura, crimes contra a humanidade e execução extrajudicial. A decisão foi mantida em 2005 por tribunal de apelação.
O ex-agente também é acusado de participação nos assassinatos do general Carlos Prats, morto na Argentina em 1974, e do diplomata Carmelo Soria, funcionário ligado à Cepal da ONU, assassinado em 1976.
O ministro da Justiça do Chile, Jaime Gajardo, afirmou que a prisão não surpreendeu o governo, destacando que crimes contra a humanidade são imprescritíveis segundo o direito internacional. Atualmente, há cinco pedidos de extradição apresentados pelo Chile. Uma audiência deve decidir se Larios será enviado ao país para responder às acusações.



