Menu
Sexta, 13 de fevereiro de 2026

Ex-agente da ditadura de Pinochet é preso nos Estados Unidos

Armando Fernández Larios é acusado de participação em execuções e pode ser extraditado ao Chile.

13 de fev 2026 - 18h:02 Créditos: Redação com informações do MídiaMax
Crédito: Reprodução

O Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE) prendeu, na Flórida, o ex-agente da repressão chilena Armando Fernández Larios, condenado por crimes cometidos durante a ditadura de Augusto Pinochet. A detenção ocorreu em outubro do ano passado, mas foi divulgada oficialmente apenas neste ano pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA.

Larios foi localizado em Fort Myers, cidade situada a cerca de 250 quilômetros de Miami. O nome dele integra uma lista de 42 cidadãos chilenos apontados como envolvidos em violações de direitos humanos.

Ex-oficial do Exército, Larios participou do golpe militar de 11 de setembro de 1973, que culminou na deposição do presidente Salvador Allende e na instalação do regime que governou o Chile por 17 anos. Segundo o Centro para a Justiça e a Responsabilidade (CJA), ele integrou a chamada “Caravana da Morte”, operação militar responsável por execuções de presos políticos no norte do país.

Posteriormente, passou a atuar na Diretoria de Inteligência Nacional (Dina), órgão de repressão criado em 1974 e vinculado a sequestros, torturas e assassinatos de opositores do regime.

De acordo com a Human Rights Watch, Larios deixou o Chile em 1987 após firmar acordo judicial relacionado ao assassinato do ex-chanceler Orlando Letelier e de sua assistente, Ronni Moffitt, mortos em 1976 em Washington após atentado com explosivo. Pelo acordo, ele cumpriu cinco meses de prisão e passou a residir nos Estados Unidos.

Em 2003, um júri da Flórida o condenou ao pagamento de US$ 4 milhões por tortura, crimes contra a humanidade e execução extrajudicial. A decisão foi mantida em 2005 por tribunal de apelação.

O ex-agente também é acusado de participação nos assassinatos do general Carlos Prats, morto na Argentina em 1974, e do diplomata Carmelo Soria, funcionário ligado à Cepal da ONU, assassinado em 1976.

O ministro da Justiça do Chile, Jaime Gajardo, afirmou que a prisão não surpreendeu o governo, destacando que crimes contra a humanidade são imprescritíveis segundo o direito internacional. Atualmente, há cinco pedidos de extradição apresentados pelo Chile. Uma audiência deve decidir se Larios será enviado ao país para responder às acusações.

Deixe um comentário


Leia Também

Veja mais Notícias