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Segunda, 11 de dezembro de 2023

Estudante de medicina da UFMS diz que não debochou de texto sobre estupro: 'fiz poema satírico'

Na versão original do texto, a artista Tracy Figg escreveu sobre estupro e os riscos que mulheres sofrem na sociedade. Na sua versão, Lucas falou sobre mulheres ao volante.

13 de jul 2022 - 14h:27 Créditos: G1
Crédito: À direita, o texto é da artista em que fala sobre o estupro. À esquerda, o texto do estudante debocha da situação. — Foto: Redes sociais/Reprodução

Após fazer uma postagem debochando de um texto sobre estupro, o estudante de medicina Lucas Müller Mendonça disse ter escrito uma sátira com ironia. "Fiz uma sátira me referindo a infrações de trânsito e ironizei como se só as mulheres cometessem", escreveu o estudante em nota enviada ao g1. O texto escrito pelo jovem causou revolta nas redes sociais.

Lucas, que cursa medicina na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e tem 21 anos, comentava o texto publicado por Tracy Figg na segunda-feira (11). Na versão original, a artista fala sobre estupro e os riscos que as mulheres sofrem na sociedade.

O texto de Tracy viralizou após uma gestante ser estuprada por um anestesista durante o parto, no Rio de Janeiro (RJ).

No posicionamento enviado ao g1, Lucas questionou o ponto de vista do texto original.

"Ora, os estupros não são sempre cometidos por homens, ainda que o sejam na maioria das vezes. A palavra 'sempre' exclui exceções, e este certamente não é o caso. Diante da conclusão estapafúrdia do poema original, que imputa somente ao homem o crime de estupro, fiz um poema satírico e tão ridículo quanto a conclusão do primeiro", disse o estudante.

Leia a íntegra da nota enviada pelo estudante:

"Primeiramente, quero deixar explícito o meu repúdio ao caso de estupro que foi noticiado. Aquilo não é um ser humano, muito menos um médico. Diante do acontecido, um perfil do Instagram publicou uma imagem que continha um poema que lamentava a situação, mas que logo tomou outro rumo. Até que, enfim, o texto finalizou com "nem todo homem, mas sempre um homem". Ora, os estupros não são sempre cometidos por homens, ainda que o sejam na maioria das vezes. A palavra "sempre" exclui exceções, e este certamente não é o caso. Diante da conclusão estapafúrdia do poema original, que imputa somente ao homem o crime de estupro, fiz um poema satírico e tão ridículo quanto a conclusão do primeiro. Nele, fiz uma sátira me referindo a infrações de trânsito e ironizei como se só as mulheres cometessem, o que é claramente não é verdade. Em nenhum momento no meu texto ironizo o estupro ocorrido, não fiz piada com estupro e muito menos fiz piada com violência. Foi apenas um texto satírico, inocente e intencionalmente absurdo a fim de expor a ideia ridícula insinuada através da frase "sempre um homem" no texto original, o que é uma conclusão ilógica, sem cabimento. Em nenhum momento comparei o crime de estupro a infrações de trânsito, isso sequer faz sentido. É óbvio que há homens que cometem infração de trânsito, assim como há, também, mulheres que estupram. E é isso que o meu texto satírico quis expor: o ridículo da conclusão do texto original".


Entenda o caso

Lucas Müller Mendonça gerou revolta nas redes sociais após debochar de um texto publicado por Tracy Figg. Na versão original, a artista fala sobre estupro e os riscos que as mulheres sofrem na sociedade. Na sua versão, Lucas fala sobre mulheres dirigindo.

O estudante usou a própria rede social para comentar na publicação de Tracy, debochando do texto ao abordar sobre o desempenho da mulher ao volante. O comentário de Lucas no post repercutiu, e vários seguidores da artista repudiaram o estudante. “Cê tá de sacanagem, né???”, perguntou uma jovem.


Em resposta aos que reagiram indignados com a situação, o jovem escreveu: “fiz um texto satírico justamente pra expor além de ridículo é bem transfóbico. Não existem pessoas com pênis que não são homens? E não existe estupro por parte de mulheres cis? Texto ridículo por texto ridículo, eu prefiro o meu. Tit for tat”.

Ainda nas redes sociais, o estudante afirmou que criou o texto para expor a "generalização ridícula que foi feita no texto original". O texto de Lucas foi excluído após os vários comentários rechaçando a atitude.


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