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Terça, 20 de janeiro de 2026

Irã acelera julgamentos e execuções para conter onda de protestos

Número de penas de morte mais que dobrou em 2025, aponta ONG.

14 de jan 2026 - 16h:23 Créditos: Redação, com informações do G1
Crédito: UGC

O regime iraniano intensificou a repressão contra manifestantes ao entrar na terceira semana de protestos em todo o país. Para conter os atos, o chefe do Judiciário determinou a realização de julgamentos acelerados e autorizou execuções, reforçando a posição do Irã entre os países que mais aplicam a pena de morte no mundo.

Dados da Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), com sede nos Estados Unidos, apontam que o número de execuções no Irã disparou em 2025. De janeiro a dezembro, foram registradas 2.063 mortes — sendo 1.807 homens e 61 mulheres — um aumento de 106% em relação ao ano anterior e o maior volume em 11 anos.

Desde 2020, as execuções vêm crescendo de forma contínua, apesar da falta de transparência do regime dos aiatolás. Segundo a HRANA, a maioria das condenações está relacionada a crimes como homicídio e tráfico de drogas.

A escalada ocorre em meio a protestos que já duram 18 dias e se espalharam pelas 31 províncias iranianas. Organizações de direitos humanos contabilizam mais de 2.500 mortos e cerca de 18 mil pessoas presas desde o início das manifestações.

Diante desse cenário, o presidente do Supremo Tribunal do Irã, Gholamhossein Mohseni-Ejei, anunciou que os julgamentos de manifestantes deveriam ocorrer de forma pública e célere. Em pronunciamento transmitido pela TV estatal, ele defendeu punições imediatas.

“Se alguém queimou outra pessoa, decapitou alguém ou ateou fogo nela, devemos agir rapidamente. Se houver atraso de dois ou três meses, o impacto não será o mesmo”, afirmou.

Um dos casos citados por entidades internacionais é o do jovem Erfan Soltani, de 26 anos. Preso na quinta-feira passada, ele teve a execução por enforcamento marcada para esta quarta-feira, após um julgamento que, segundo familiares, durou apenas dois dias. No ano passado, 11 execuções foram realizadas em público, de acordo com a HRANA.

Imagens exibidas recentemente pela televisão estatal mostram dezenas de confissões de manifestantes, o que indica que o regime deve manter a prática de execuções públicas. A HRANA denuncia que esses depoimentos são obtidos sob coerção, após torturas físicas e psicológicas, e incluem declarações forçadas de arrependimento e supostos vínculos com Estados Unidos e Israel.

Além da repressão violenta, o governo iraniano tem recorrido ao bloqueio de internet e telefonia em todo o país. O ministro da Justiça, Amin Hossein Rahimi, anunciou ainda que qualquer cidadão que tenha participado dos protestos desde o dia 8 será considerado criminoso, ampliando a lista de violações atribuídas ao regime teocrático.

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