Mato Grosso do Sul contabilizou 2.950 internações por pancreatite aguda entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, segundo dados da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul. O aumento dos casos ocorre em meio a alertas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre possíveis reações adversas associadas ao uso de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
Embora as internações não tenham causa especificada, a agência reguladora destacou crescimento recente nas notificações de pancreatite envolvendo fármacos à base de liraglutida e semaglutida, como Ozempic e Mounjaro.
Crescimento ao longo dos anos
Os registros no Estado mostram avanço progressivo: foram 459 internações em 2021; 561 em 2022; 625 em 2023; 664 em 2024; e 641 entre janeiro e novembro de 2025 — número que ainda pode aumentar com a consolidação dos dados de dezembro.
A SES reforça que o uso desses medicamentos deve ocorrer exclusivamente com prescrição e acompanhamento médico, já que exigem ajuste gradual de dose e avaliação criteriosa do histórico clínico do paciente, especialmente em casos de doenças pancreáticas, renais ou da tireoide.
Riscos e medidas adotadas
A pancreatite aguda é uma inflamação súbita do pâncreas, que pode evoluir para quadros graves, incluindo formas necrotizantes e risco de morte. A autoridade reguladora do Reino Unido, Medicines and Healthcare products Regulatory Agency, registrou quase 1,3 mil notificações relacionadas a esses medicamentos entre 2007 e outubro de 2025, com 19 mortes.
No Brasil, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram contabilizadas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos, sendo seis óbitos.
Diante do cenário, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias passem a reter a receita médica na venda desses medicamentos. A prescrição deve ser emitida em duas vias e tem validade de até 90 dias.
Sintomas e orientação
A pancreatite ocorre quando enzimas digestivas passam a agir no próprio pâncreas, provocando inflamação. Entre os sintomas estão dor abdominal intensa e persistente, febre, náuseas e vômitos. Além do uso de medicamentos, fatores como consumo excessivo de álcool e cálculos biliares também podem desencadear o quadro.
A recomendação é que pacientes procurem atendimento médico imediato diante de sintomas persistentes. Profissionais de saúde devem suspender o tratamento caso haja suspeita da reação.
A SES ressalta ainda que o uso das chamadas canetas emagrecedoras deve estar aliado a alimentação equilibrada e prática regular de atividade física, já que o medicamento é apenas parte complementar do tratamento.



