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Segunda, 20 de setembro de 2021

País registra queda de 35% de casos de covid

O Brasil tem registrado uma queda de 35% no número de infectados pela covid-19, diante do avanço da vacinação.

15 de Set 2021 - 14h:29 Créditos: DAIANE SCHUINDT
Crédito: Assessoria

O Brasil tem registrado uma queda de 35% no número de infectados pela covid-19, diante do avanço da vacinação. Parte dos gestores de Saúde, porém, relata problemas na notificação de casos, o que afeta uma descrição mais precisa do cenário. É o caso de São Paulo, Estado mais populoso do País. Especialistas avaliam que a tendência global tem sido de redução, mas essas falhas no sistema dificultam a identificação de oscilações na curva.

Na terça-feira, 14, a média móvel nos últimos 7 dias foi de 15.165 diagnósticos por dia - a menor desde 20 de maio de 2020 (quando estava em 14.647). Quinze dias antes, a média era 35% maior, com 23.266 novos casos por dia. Na terça, por exemplo, São Paulo registrou 881 novos casos. No dia anterior, havia sido apenas 337. Há uma semana o balanço era de 2.080 casos e, depois disso, houve redução abrupta e o número caiu para menos da metade.


Coordenador Executivo do Comitê Científico que assessora o governo paulista, João Gabbardo disse que as mudanças no sistema do SUS afetaram São Paulo e que o impacto foi a queda no número de casos e óbitos. "Nesta semana epidemiológica, que concluímos no último sábado, tivemos um número de novos casos muito pequeno e não estamos considerando como a realidade, porque teve uma queda de 70% nos casos em relação à semana (epidemiológica) anterior e, nos óbitos, foi de quase 35%", disse.


O governo de São Paulo apontou que, para atualizar sobre as mudanças, o DataSUS realizou apenas uma reunião em 27 de agosto, sem treinamento, e liberou a nova ferramenta no dia 8 de setembro. “Desde então, as equipes trabalham na adequação dos processos, que devem ser normalizados ainda nesta semana”, explicou, em nota.

Como São Paulo concentra o maior volume de estatísticas de covid-19 do País, o impacto no número nacional é grande. Antes do início dos problemas, o Estado concentrava cerca de 20% das notificações de infectados do Brasil. Nos últimos dias, esse patamar despencou para cerca de 10%.

Segundo Gabbardo, a previsão é de que o próximo balanço semanal tenha um aumento de casos e isso pode ser resultado dos números represados. "Já passamos por outra situação como essa, com número de casos menor. E, na semana seguinte, tem o aumento por correção ou notificações." Ele diz que a expectativa é de que o sistema seria estabilizado até esta terça-feira, 14.

Além de São Paulo, ao menos dois Estados também relataram inconsistências no e-SUS Notifica, plataforma usada para registrar informações relacionadas à covid-19. A Bahia enfrentou dificuldades com o sistema no sábado, enquanto Pernambuco disse que não conseguiu contabilizar grande parte dos casos na terça-feira em razão dos problemas.

O Estadão apurou que o Conselho Nacional de Secretários Estaduais de Saúde (Conass) recebeu reclamações sobre o sistema e tem buscado o Ministério da Saúde para resolver o problema. Procurados, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Distrito Federal informaram que não tiveram os dados afetados por atualizações do SUS. Procurado, o ministério não se manifestou até as 13 horas sobre as falhas no e-Sus Notifica.

A mudança não afetou as informações sobre internações, porque, nesse caso, o Estado de São Paulo utiliza um sistema próprio. No último levantamento, os números permaneceram estáveis, o que saiu da tendência de queda que vinha sendo observada. "Pela primeira vez em 12 semanas, ficou quase com o mesmo número da semana epidemiológica anterior. Estava tendo redução de novas internações e passou de 639 internações por dia no Estado para 641. Não houve um aumento significativo, mas houve uma estabilização. Vai ser importante acompanharmos a evolução de novas internações", alertou Gabbardo.


O avanço da variante Delta, mais transmissível, tem preocupado especialistas e causado alta de hospitalizações pelo mundo. Estudos já mostraram que uma dose das vacinas da Pfizer e da AstraZeneca, por exemplo, é insuficiente para proteger contra a cepa, mas duas injeções têm eficácia.

Bruno Naundorf, que integra o Gabinete de Crise do Rio Grande do Sul, afirma que houve problema com o registro de algumas remessas de dados há duas semanas, quando o novo sistema foi implementado, mas que a situação já se normalizou no Estado. Ele observa ainda que o quadro de internações em leitos de UTI e enfermaria referentes a agosto caíram de 9,5 mil para 1,2 mil em relação ao mesmo período do ano passado.

“Se a vacina faz com que se tenha redução de sintomas, pode ser que tenhamos mais assintomáticos que não estejam procurando atendimento médico. Mas isso é um achismo e, por ora, vemos que a queda de casos se dá de forma consistente nos dados diários de internação”, aponta Naundorf.

Exclusivamente na terça-feira, o Rio de Janeiro disse que enfrentou problemas no sistema de notificação do ministério e não conseguiu divulgar o número de casos e mortes. O secretário de Saúde do Rio, Alexandre Chieppe, afirma que há “claramente uma redução e melhora nos indicadores” do Estado. “É um momento ainda de alerta, mas também de mostrar que agora vemos cada vez mais perto a luz no fim do túnel."

No Distrito Federal, o secretário de Saúde General Manoel Luiz Narvaz Pafiadache afirmou que o nível de internações tem melhorado gradativamente. A estratégia agora é concentrar os pacientes de covid em um hospital de campanha e, assim, vagar leitos de UTI e enfermaria para as cirurgias eletivas represadas durante a pandemia e prestar atendimento aos pacientes oncológicos.

Mellanie Fontes Dutra, coordenadora da Rede Análise Covid-19, explica que atrasos na notificação de novos casos são comuns no Brasil. "Isso acaba represando o número de casos", diz. Depois de dias com casos em baixa, é comum haver picos de notificação como reflexo desse represamento, o que pode acontecer nos próximos dias.

Outro fator apontado por Mellanie é a falta de um programa de testagem eficiente e constante. "A nossa testagem é muito mais reativa. Só captamos uma porção das pessoas sintomáticas que têm acesso aos testes", diz. Assim, muitos pesquisadores não costumam usar o número de casos como forma de monitorar a pandemia.

Para contornar a situação, a Fiocruz mantém uma plataforma com informações sobre a taxa de positividade dos testes. Dessa forma, a quantidade de casos é relativizada pelo número total de testes realizados e o dado é mais consistente. Diego Xavier, pesquisador da instituição, explica que locais com taxa de positividade acima de 5% estão com a transmissão descontrolada.

No Brasil, a média móvel da taxa de positividade passou de 12,4% no dia 8 de setembro para 45% no dia 13. No entanto, até esse dado deve ser analisado com cuidado. Xavier diz que as mudanças feitas no e-SUS Notifica podem estar levando os Estados a reportarem apenas os casos positivos, o que distorce a taxa de positividade e a faz disparar.

Isaac Schrarstzhaupt, pesquisador da Rede Análise Covid-19, reforça que é preciso cautela ao relacionar diretamente a queda expressiva no de casos com uma melhora mais acelerada da pandemia. "Quando olhamos de perto para os dados, vemos claramente que houve algum problema." Ele diz que essa não é a primeira vez de forte redução nos números da pandemia no Brasil.

No início do ano, o Ministério da Saúde fez alterações no Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe), onde os Estados inserem dados de internação por covid, o que gerou represamento de dados.

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