A gordura no fígado, conhecida clinicamente como esteatose hepática, é considerada uma doença silenciosa e pode evoluir por anos sem apresentar sintomas evidentes. Apesar disso, especialistas alertam que a ausência de sinais não significa que a condição seja inofensiva.
É normal que o fígado possua pequenas quantidades de gordura. O problema surge quando ocorre o acúmulo excessivo nas células do órgão, o que pode desencadear inflamações e comprometer seu funcionamento ao longo do tempo.
Segundo a endocrinologista Marília Bortolotto, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a evolução silenciosa da doença é um dos principais riscos. “A gordura no fígado pode avançar sem causar sintomas por muito tempo. Quando a inflamação aparece, o órgão já pode estar comprometido”, explica.
Sintomas iniciais
Nos estágios iniciais, os sinais podem ser leves ou inespecíficos, como:
- Dor abdominal;
- Cansaço e fraqueza;
- Perda de apetite;
- Aumento do fígado;
- Inchaço abdominal;
- Dor de cabeça frequente.
Sintomas em estágios avançados
Quando a doença evolui para quadros mais graves, como inflamação crônica, fibrose ou insuficiência hepática, os sintomas se intensificam e incluem:
- Fadiga intensa;
- Confusão mental;
- Acúmulo de líquido no abdômen;
- Alterações no sono;
- Hemorragias;
- Diminuição das plaquetas sanguíneas;
- Icterícia (pele e olhos amarelados);
- Fezes claras;
- Alterações na coagulação;
- Inchaço nas pernas;
- Aumento rápido do volume abdominal.
De acordo com o endocrinologista Paulo Bittencourt, presidente do Instituto Brasileiro do Fígado (Ibrafig), a evolução da doença pode ser grave. “O problema começa de forma discreta, mas pode evoluir para inflamações crônicas e fibrose, aumentando o risco de cirrose e câncer de fígado”, alerta.
Causas da gordura no fígado
A esteatose hepática pode ser classificada em dois tipos:
- Alcoólica, causada pelo consumo excessivo de álcool;
- Não alcoólica, relacionada principalmente ao excesso de peso e a hábitos de vida inadequados.
Entre os principais fatores de risco da forma não alcoólica estão:
- Obesidade;
- Sedentarismo;
- Diabetes;
- Alimentação inadequada;
- Colesterol alto;
- Hipertensão;
- Gravidez;
- Perda ou ganho rápido de peso;
- Uso de medicamentos como corticoides, estrógeno, amiodarona, antirretrovirais, diltiazen e tamoxifeno;
- Inflamações crônicas no fígado.
Tratamento
Segundo o Ministério da Saúde, não existe um tratamento específico para a gordura no fígado. O acompanhamento depende da causa e do estágio da doença. No entanto, mudanças no estilo de vida costumam ser eficazes, especialmente nas fases iniciais.
O fígado possui capacidade de regeneração, desde que o paciente adote hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e prática regular de atividades físicas. O uso de medicamentos é raro e, quando indicado, deve estar sempre associado às mudanças no estilo de vida.



