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Terça, 21 de abril de 2026

Terceirização cresce e lucro cai: relatório critica gestão da Sanesul

Relatório técnico destaca aumento da terceirização, pressão da PPP sobre receitas e questiona ausência de clareza nos investimentos previstos.

16 de abr 2026 - 16h:51 Créditos: Redação com informações do Folha de Dourados
Crédito: Reprodução

O balanço financeiro mais recente da Sanesul acendeu um sinal de alerta sobre a situação econômica da empresa e os rumos do saneamento em Mato Grosso do Sul. Dados consolidados de 2025 apontam queda no lucro, crescimento expressivo da terceirização e aumento do impacto da Parceria Público-Privada (PPP) do esgotamento sanitário sobre as receitas da estatal.

De acordo com o levantamento, o lucro líquido da empresa foi de R$ 48,4 milhões — o pior resultado registrado nos últimos 11 anos. Paralelamente, os gastos com serviços terceirizados cresceram 62,5% nos últimos quatro anos, saltando de R$ 170,3 milhões em 2022 para R$ 276,9 milhões em 2025.

Na avaliação do presidente do Sindágua-MS, Lázaro Godoy, os números indicam um desequilíbrio estrutural. “Estamos vendo uma empresa que lucra menos, terceiriza mais e transfere parte significativa da receita para a PPP, sem que os investimentos previstos apareçam de forma clara”, afirmou.

O relatório também aponta que as despesas com os trabalhadores tiveram crescimento de apenas 19,86% no mesmo período e ainda registraram redução no último ano, cenário atribuído ao Plano de Cargos e Salários. Segundo o sindicato, houve um forte achatamento salarial, com perdas que podem ultrapassar 39% ao longo da carreira.

Outro ponto destacado é o volume de recursos destinados à PPP do esgotamento sanitário. Entre maio de 2021 e dezembro de 2025, foram repassados R$ 411 milhões à empresa responsável pelos serviços. Apenas em 2025, o valor chegou a R$ 112,9 milhões — equivalente a 57,38% da receita obtida com esgoto.

Apesar dos repasses, o relatório questiona a ausência de clareza sobre os investimentos previstos no contrato, que, segundo estimativas, já ultrapassariam R$ 700 milhões. Esses valores não estariam devidamente detalhados nos balanços divulgados.

Para o sindicato, o cenário exige maior transparência e acompanhamento rigoroso da gestão e dos contratos, diante do impacto direto que essas decisões podem ter nas tarifas, na qualidade dos serviços e nas condições de trabalho.

 

 

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