Crédito: Divulgação Após mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul será oficialmente assinado neste sábado (17), em cerimônia no Paraguai. O tratado representa um passo decisivo para a formação de uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, ao integrar mercados da América do Sul e da zona do euro.
A assinatura ocorrerá sem a presença do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que será o único chefe de Estado sul-americano ausente no evento. Estão confirmadas as presenças da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, do presidente do Conselho Europeu, António Costa, e dos presidentes da Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai.
Na sexta-feira (16), Lula recebeu Ursula von der Leyen no Rio de Janeiro e comentou a longa duração das tratativas, classificando o processo como “25 anos de tentativas e dificuldades para chegar a um acordo”.
Apesar da assinatura, o tratado ainda não entra em vigor. O texto precisará ser ratificado pelos parlamentos de todos os países envolvidos, tanto no Mercosul quanto na União Europeia. Segundo especialistas, esse trâmite tende a ser demorado e politicamente sensível, especialmente dentro do bloco europeu.
Negociado há mais de 25 anos, o acordo prevê redução gradual de tarifas, regras comuns para o comércio de produtos industriais e agrícolas, além de normas sobre investimentos e padrões regulatórios. A expectativa é a criação de um mercado integrado com mais de 700 milhões de consumidores.
Dentro da União Europeia, o tratado divide opiniões. Países como Alemanha e Espanha defendem o acordo, destacando oportunidades de exportação, redução da dependência da China e acesso a minerais estratégicos. Já a França, apoiada por nações como Polônia, Irlanda e Áustria, mantém resistência, principalmente por preocupações com o impacto sobre o setor agrícola europeu.
Para atender a essas divergências, o texto final inclui salvaguardas para a agricultura europeia e exigências ambientais mais rigorosas. Do lado do Mercosul, o Brasil desempenha papel central, especialmente no compromisso com avanços em sustentabilidade e controle ambiental, fatores considerados decisivos para a ratificação do acordo no bloco europeu.



