Policiais militares de Mato Grosso do Sul iniciam 2026 cobrando a atualização do auxílio-alimentação pago durante os plantões. O benefício mensal, fixado em R$ 100 e sem reajuste há 13 anos, resulta em cerca de R$ 6,66 por turno, considerando uma média de 15 plantões ao mês. A categoria afirma que o valor é insuficiente até para um lanche básico e obriga o militar a bancar a própria alimentação enquanto trabalha.
A reclamação é liderada pela ACS-MS, que aponta perda contínua do poder de compra e destaca que a dedicação exclusiva exigida pela carreira impede o exercício de outra atividade remunerada. Na prática, diluído ao longo do mês, o benefício equivale a cerca de R$ 3,33 por dia.
Orçamento elevado, base pressionada
O pedido por correção ocorre em um contexto de orçamento elevado para a segurança pública. A Segov projeta R$ 2,03 bilhões em receitas para a Sejusp, dos quais aproximadamente R$ 1,7 bilhão são destinados aos militares. Ainda assim, não há detalhamento sobre quanto desse montante chega efetivamente à remuneração de soldados e cabos que atuam nas ruas.
Salários e comparação regional
Segundo dados oficiais, o soldado recém-formado recebe subsídio bruto de R$ 5.727. Após descontos obrigatórios — como Imposto de Renda, previdência e plano de saúde — o valor líquido cai para algo próximo de R$ 3 mil, quando não há adicional de comando. Para a associação, a remuneração adequada deveria superar R$ 7,5 mil líquidos, considerando risco diário, jornadas extensas e exclusividade.
No comparativo regional, a corporação sul-mato-grossense fica atrás de estados vizinhos: em Mato Grosso, o inicial bruto passa de R$ 3.540; em Goiás, chega a R$ 6.353. Isso ocorre mesmo com o estado figurando entre os maiores investimentos per capita em segurança no país.
Carreira travada e falta de fardamento
Além do auxílio defasado, a categoria relata entraves na progressão funcional. Cerca de 600 cabos formados em 2018 aguardam promoção a 3º sargento por falta de vagas previstas na Lei de Fixação de Efetivo. A ACS-MS alerta que propostas recentes evitam novos “apagões”, mas não ampliam vagas, mantendo o problema estrutural.
Outro ponto sensível é o fardamento. Turmas recentes receberam apenas o kit inicial, sem previsão clara de reposição de uniformes e coturnos — item considerado básico para a atividade.
Procuradas, as secretarias responsáveis não responderam até o fechamento. O espaço segue aberto para manifestações.



