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Terça, 02 de junho de 2020

UFGD fomenta o uso de jogos pedagógicos para o ensino da Matemática

18 de Fev 2020 - 09h:40

Articulando ensino, pesquisa e extensão, o LATEEM (Laboratório de Tecnologias Educativas para o Ensino de Matemática) está usando jogos pedagógicos para mostrar de forma concreta, que a Matemática vai muito além das fórmulas.

Entre os objetivos do Laboratório está o de promover a integração entre universidade e escola e para isso os professores podem entrar em contato para conhecer o LATEEM, dialogar sobre suas motivações e, posteriormente, participar de atividades específicas que foram pensadas, produzidas e executadas a partir da demanda da sua comunidade.

Você conhecerá um pouco mais sobre a abordagem e o funcionamento do laboratório nesta entrevista o professor Tiago Dziekaniak Figueiredo, coordenador do LATEEM.

- Quais as vantagens de ensinar Matemática com os jogos?

Tiago Dziekaniak Figueiredo: Os materiais concretos são instrumentos potencialmente capazes de materializar os conceitos vistos de forma abstrata. Manipular estes materiais pode fazer com que os aprendentes consigam perceber que a matemática vai além das fórmulas. A maioria dos recursos permitem que por meio da interação o aluno experimente, visualize e teste de forma concreta o que está aprendendo. Um exemplo de material concreto para trabalhar com os conteúdos de áreas e de frações é o Tangram. Um quebra-cabeça formado por 7 peças geométricas que organizadas formam um quadrado. Ao manipular essas sete peças os alunos podem formar milhares de outras figuras como animais, casas, letras sempre utilizando as sete peças sem sobrepô-las. No trabalho sobre áreas, os alunos ao manipularem as sete peças poderão perceber que a área de qualquer figura que eles montem será sempre a mesma independente da disposição em que eles as coloquem, ou até mesmo podem comparar as áreas entre as peças evidenciando as relações existentes entre elas o que também pode ser pensado para o ensino de frações somando as partes correspondentes de cada peça em relação ao quadrado original. Penso que no trabalho com material concreto, ao trabalhar com crianças esta forma seja mais atrativa e encantadora do que simplesmente falar ou repassar algo dos livros no quadro.

- Como o laboratório tem colaborado para aproximar a universidade e as escolas?

Tiago Dziekaniak Figueiredo: De forma geral, reitero que o LATEEM vem se tornando um importante espaço dentro da universidade como um ambiente potencialmente capaz de fortalecer as relações entre universidade-escola-comunidade. No LATEEM desenvolvemos projetos de Ensino, Pesquisa e Extensão que se complementam visando a indissociabilidade entre estes três eixos, o que considero ser fundamental para formação de professores no Século XXI. O Laboratório possui muitos recursos manipuláveis como jogos e materiais concretos, computadores, lousa digital entre outros equipamentos e muitos materiais de consumo que auxiliam nas atividades. Tudo o que precisamos para desenvolver as ações saem do LATEEM, as escolas e professores não precisam dispor de nenhum recurso material. A maioria dos materiais foram adquiridos com recursos do Programa de Apoio à Pesquisa (PAP), e PAP-UA (Unidades Acadêmicas) da PROP, do Projeto de Ensino de Graduação (PEG) da PROGRAD e dos editais de projetos de extensão com ônus da PROEX. Esses editais são importantes para o desenvolvimento das atividades da UFGD. Bem como o apoio da coordenação do curso de Matemática e da direção da FACET.  

Outro ponto que acho importante destacar é a disposição dos materiais no laboratório, eles ficam expostos em prateleiras que permitem serem visualizados a todo instante, não estando dentro de armários fechados. Isso auxilia na percepção e na possibilidade de olhar para o material e sugerir situações diferenciadas. Os alunos são sempre dispostos em grupos, a organização da sala é composta por 4 mesas redondas em que os alunos escolhem onde ficar e, por não ter a famosa "mesa do professor", o professor também circula entre os grupos, para tentarmos difundir o pensamento de descentralização do papel do professor dos processos de ensinar e aprender tendo foco direto no aluno.

- Como funciona a parceria com as escolas?

Tiago Dziekaniak Figueiredo: A parceria com as escolas é feita por meio dos professores que conhecem o nosso trabalho em eventos ou até mesmo nas visitas que fazemos nas supervisões dos estágios supervisionados. Na maioria das vezes os trabalhos que divulgamos em eventos ou até mesmo nas redes sociais do que desenvolvemos com alunos e professores no LATEEM também chama a atenção dos professores que conversam com as equipes diretivas e nos convidam para fazermos atividades com eles.

- Escolas que ainda não participaram podem se candidatar?

Tiago Dziekaniak Figueiredo: Todas as escolas são sempre muito bem-vindas. A ideia do LATEEM é justamente promover a integração entre universidade e escola. Partimos do pressuposto também de que a escola por meio de seus professores e alunos é que devem se motivar a conhecer o espaço. Não queremos mais aquela visão de que a universidade oferece algo de forma imposta às escolas como se estas fossem incapazes de se desenvolver, mas sim mostrar para sociedade o que temos e que se for da necessidade delas este espaço está aberto e com muita vontade de receber todos. Nós mostramos o que produzimos nos três eixos: ensino, pesquisa e extensão, fazemos a parte de divulgar aquilo que produzimos e partindo da vontade das escolas e professores estes entram em contato. No primeiro momento oferecemos as atividades para as escolas entretanto percebemos que quando não partia da real necessidade daquela comunidade as temáticas se esgotavam. Este processo de auto avaliação foi muito importante pois agora nós pensamos, produzimos e executamos atividades específicas de acordo com a demanda de cada comunidade.

- Quais são as atividades de extensão?

Tiago Dziekaniak Figueiredo: Como atividades de extensão trabalhamos diretamente com o oferecimento e oficinas pedagógicas nas escolas da comunidade, formação com os professores e cursos de extensão voltados ao uso de materiais manipuláveis e dos recursos digitais. É importante ressaltar que só realizamos quando somos convidados para fazer. Essas ações tiveram início em 2016 quando o Grupo de Pesquisa foi contemplado pelo edital do CNPq referente a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia que tinha como tema “A Matemática está em tudo” no qual desenvolvemos atividades nas cidades de Dourados, Rio Brilhante e Fátima do Sul. Atualmente desenvolvemos 2 projetos de extensão voltados ao ensino da matemática e ao ensino interdisciplinar de arte e matemática, projetos de ensino e de pesquisa que de certa forma se complementam tendo em vista o próprio foco do grupo que é o pensamento sobre a formação de professores no século XXI.

- Como isso ajuda a formação dos graduandos do curso de Matemática?

Tiago Dziekaniak Figueiredo: Vivemos em um mundo cheio de novidades, as coisas se modificam de forma muito rápida e tudo chama mais atenção do que a sala de aula. Ao pensar diferentes formas de trabalhar a matemática, os alunos ainda em formação por meio das ações que desenvolvemos tem a oportunidade de experienciar estas possibilidades de trabalho e criarem mecanismos próprios para se desenvolverem enquanto professores e elaborarem estratégias significativas de como lidar com diferentes situações em sala de aula. Ainda vivemos uma cultura muito centrada no ensino tradicional, e não digo que este não tenha valor, mas precisamos cada vez mais evoluir no sentido de perceber que as necessidades formativas dos alunos mudam constantemente e se quisermos dar conta de fazer com que eles aprendam e se desenvolvam precisamos pensar em outras formas de ensinar. Não penso que todos os futuros professores vão sair por ai trabalhando todos os conteúdos de forma contextualizada ou com os recursos manipuláveis, mas penso que os que participam das atividades adquirem uma outra postura e percebem, mesmo que timidamente, a pensar a sala de aula muito além do quadro e do giz como possibilidade de contemplar as necessidades específicas de cada aluno, tendo em vista que cada um de nós aprende de forma diferente.

Foto e texto: Assessoria UFGD

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