O Banco Central decretou nesta quarta-feira a liquidação extrajudicial do Banco Pleno e estendeu o regime especial à Pleno DTVM após identificar comprometimento financeiro e falta de liquidez da instituição. O banco pertence ao empresário Augusto Lima, que adquiriu o antigo Banco Voiter — antes ligado ao conglomerado Master — em 2025.
Segundo a autoridade monetária, a decisão foi motivada pela incapacidade do banco de cumprir exigências regulatórias e honrar obrigações de curto prazo. O BC também determinou a indisponibilidade dos bens dos administradores e informou que poderá aplicar sanções administrativas conforme o andamento das apurações.
Classificado como instituição de pequeno porte, o Banco Pleno representava 0,04% dos ativos e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional. Para aprovar a transferência de controle, o BC havia imposto condições como aumento de capital e restrições à emissão de CDBs, justamente para limitar riscos ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Mesmo com aportes, a instituição enfrentou dificuldades para equilibrar captação e vencimentos de títulos.
Impacto no Fundo Garantidor
O Banco Pleno possui cerca de 160 mil credores com depósitos cobertos pela garantia do FGC, totalizando aproximadamente R$ 4,9 bilhões. O pagamento será realizado após a consolidação dos dados pelo liquidante.
Com isso, o montante potencial de cobertura do Fundo sobe para R$ 51,8 bilhões, somando valores relacionados ao Banco Master (R$ 40,6 bilhões) e ao Will Bank (R$ 6,3 bilhões). O FGC possui patrimônio estimado em R$ 160 bilhões, sendo cerca de R$ 125 bilhões disponíveis para uso imediato.
Para recompor o caixa, o Fundo estuda medidas como antecipação de contribuições dos bancos por até sete anos e aumento extraordinário das contribuições mensais, além de eventual redirecionamento de recursos compulsórios — ainda dependente de aprovação do Banco Central.
Até o momento, o FGC já pagou aproximadamente R$ 37 bilhões a credores ligados ao conglomerado Master, mais de 90% do total devido.



