Mato Grosso do Sul vive um cenário de oscilação e preocupação em relação aos casos de feminicídio nos últimos quatro anos. Dados do Monitor da Violência Contra a Mulher, mantido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) em parceria com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), apontam para uma tendência de alta, especialmente após o aumento registrado em 2024 e 2025.
Em 2026, o estado já contabiliza um feminicídio, registrado em 16 de janeiro, no município de Bela Vista. O caso interrompeu um período considerado positivo, no qual o Estado não registrava mortes desse tipo no início de janeiro — uma sequência que durou poucos dias.
O episódio, porém, não é isolado. Nos primeiros 17 dias do ano, quase 900 denúncias de violência contra a mulher foram registradas em Mato Grosso do Sul, o que representa uma média superior a 50 ocorrências por dia, conforme dados oficiais.
O histórico recente mostra que, após uma redução significativa em 2023, os números voltaram a subir. Em 2022, o estado registrou 44 feminicídios. Em 2023, esse total caiu para 30 casos, mas o índice subiu novamente em 2024, com 34 mortes, e atingiu 39 em 2025.
Especialistas e autoridades avaliam que o aumento reforça a ideia de que a violência de gênero é um problema estrutural e persistente, mesmo com políticas públicas, programas de prevenção e ações de combate ao crime.
Além dos feminicídios, o monitor também aponta que o estado continua registrando centenas de denúncias diárias de agressões domésticas e outros crimes contra mulheres, o que evidencia a necessidade de medidas mais eficazes de prevenção, além de fiscalização rigorosa das medidas protetivas e fortalecimento de campanhas de conscientização.



