Uma professora da rede municipal de ensino de Campo Grande afirma estar afastada das atividades há sete anos após enfrentar, segundo ela, um cenário de assédio moral e psicológico em unidades escolares onde atuava. O caso teria ocorrido, principalmente, em uma escola localizada no Bairro Jardim Santa Emília.
Em relato, a docente descreve um ambiente de trabalho marcado por pressão constante, episódios de constrangimento e perseguição por parte da gestão escolar. Ela afirma que as situações vividas ao longo do período tiveram impactos significativos em sua saúde mental, levando ao agravamento de seu estado emocional.
Pedagoga desde 2011, a professora conta que, na época dos fatos, trabalhava em duas escolas da rede municipal. Segundo ela, os problemas começaram a surgir nesse período, quando passou a ser alvo frequente de críticas e cobranças consideradas excessivas.
De acordo com o relato, a diretora da unidade mencionava, de forma recorrente, a existência de denúncias contra a professora. No entanto, posteriormente, ao buscar informações junto à Secretaria Municipal de Educação (Semed), a docente afirma ter descoberto que tais denúncias não existiam.
“Todos os anos era dito que havia uma denúncia contra mim. Depois que procurei a secretaria, fui informada de que não havia nenhum registro nesse sentido”, relatou.
A professora afirma que, apesar das situações enfrentadas, sempre foi considerada uma profissional dedicada, com avaliações positivas registradas em sua ficha funcional. Ainda assim, segundo ela, continuava sendo alvo de comentários negativos e desqualificações.
Outro ponto destacado pela docente é o acúmulo de funções. Ela relata que, além das atividades regulares, participava da organização de ações para arrecadação de recursos e colaborava com melhorias na estrutura da escola, muitas vezes desempenhando tarefas além de suas atribuições formais.
Mesmo com esse envolvimento, a professora descreve o ambiente como desgastante. “Havia muita cobrança e situações de humilhação. Eu trabalhava nos três períodos e, à noite, não recebia, apenas compensava com folgas”, afirmou.
Com o passar do tempo, segundo o relato, a situação evoluiu para um quadro mais grave de saúde. A docente afirma ter desenvolvido problemas físicos e psicológicos, passando a depender de acompanhamento médico e uso contínuo de medicação.
Ela também relata que, atualmente, não consegue mais exercer a profissão em sala de aula. “Chegava a ficar nervosa só de ser chamada para conversar. Hoje faço uso de medicação e sigo em tratamento”, disse.
A professora informa que buscou apoio junto à administração municipal, mas afirma que não houve solução para o caso. Atualmente, está afastada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e aguarda a realização de uma nova perícia médica, prevista para os próximos meses, que irá definir sua situação profissional.
Além do próprio caso, a docente afirma que outros profissionais da rede também enfrentam dificuldades semelhantes, mencionando relatos de colegas que estariam sob pressão psicológica e em tratamento médico.
Ela ainda questiona práticas administrativas adotadas, como o encaminhamento de professores para atendimento psicológico mesmo em situações relacionadas a problemas físicos, o que, segundo ela, pode gerar ainda mais desgaste.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande para solicitar posicionamento sobre as denúncias, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações.



