Crédito: Ilustrativa O sistema Pix passará por uma atualização importante a partir de 2 de fevereiro, com impacto direto no combate a golpes e fraudes. A nova regra obriga todas as instituições financeiras a oferecerem uma versão ampliada do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ferramenta criada pelo Banco Central para auxiliar vítimas na tentativa de recuperar valores transferidos indevidamente.
Até agora, o funcionamento do MED era limitado à conta que recebia o dinheiro inicialmente. Na prática, isso dificultava a devolução quando os criminosos transferiam rapidamente os valores para outras contas — uma estratégia comum para dificultar o rastreamento. Com a atualização, essa barreira deixa de existir.
De acordo com o doutor em Computação e professor da Universidade Mackenzie, Cleórbete Santos, o sistema passa a seguir o caminho do dinheiro por diversas movimentações. A nova versão permite identificar contas intermediárias que receberam os valores e compartilhar essas informações entre todas as instituições envolvidas, possibilitando o bloqueio e a devolução dos recursos em até 11 dias após a contestação.
A principal inovação está no uso do chamado grafo de rastreamento, uma tecnologia que mapeia automaticamente o percurso do dinheiro. Esse recurso conecta a conta de origem a até cinco níveis de transações subsequentes, permitindo que valores sejam localizados mesmo após múltiplas transferências. Antes, esse processo era manual e interrompido logo na primeira conta.
Embora a funcionalidade esteja disponível de forma opcional desde novembro de 2025, a adesão se torna obrigatória em fevereiro. Desde outubro do ano passado, os bancos já são obrigados a disponibilizar, nos aplicativos, a opção de contestar transações Pix de forma simples e sem necessidade de atendimento humano.
Apesar do avanço tecnológico, o especialista ressalta que a recuperação do dinheiro não é garantida. Para que a devolução ocorra, é necessário que ainda haja saldo nas contas envolvidas. Por isso, registrar a contestação o mais rápido possível após o golpe continua sendo decisivo.
Como reduzir o risco de cair em golpes
Segundo Cleórbete Santos, criminosos costumam explorar o senso de urgência e o apelo emocional das vítimas. Mensagens que simulam pedidos de ajuda de parentes ou amigos devem sempre ser confirmadas por ligação ou chamada de vídeo antes de qualquer transferência.
Também é importante desconfiar de contatos que se passam por bancos. Instituições financeiras não solicitam senhas, códigos de validação, transferências “teste” ou dados pessoais por telefone, mensagens ou SMS. Em situações assim, a recomendação é encerrar o contato e avisar o banco pelos canais oficiais.
Entre as medidas preventivas recomendadas estão o ajuste dos limites de transferência, o uso de autenticação em dois fatores, o cadastro preventivo de chaves Pix vinculadas ao CPF ou celular, a conferência cuidadosa de valores e destinatários antes de confirmar pagamentos e a disseminação de informações sobre golpes para amigos e familiares.



