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Domingo, 01 de fevereiro de 2026

Cirurgia inédita em MS abre novas perspectivas para pacientes com lesão na medula

Procedimento com polilaminina foi realizado em militar de 19 anos.

21 de jan 2026 - 16h:12 Créditos: Redação, com informações do Midiamax
Crédito: Arquivo/Midiamax

Mato Grosso do Sul entrou para a história da medicina nacional ao realizar, pela primeira vez, uma cirurgia com uso de polilaminina, substância experimental que pode auxiliar na recuperação de movimentos em pacientes com lesão grave na medula espinhal. O procedimento foi realizado nesta quarta-feira (21) em um militar de 19 anos que ficou tetraplégico após um disparo acidental ocorrido há dois meses.

A intervenção ocorreu no Hospital Militar de Campo Grande e durou cerca de 40 minutos. O jovem paciente apresentou boa evolução imediata e deve receber alta hospitalar nesta quinta-feira (22). A partir de agora, ele será submetido a um intenso programa de fisioterapia, com acompanhamento estimado em até dois anos.

A cirurgia foi conduzida pelo neurocirurgião Bruno Cortez, do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, e pelo médico pesquisador Olavo Franco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O procedimento foi acompanhado pelo tenente e neurocirurgião Wolnei Marques Zeviani, responsável pelo seguimento clínico do paciente em Mato Grosso do Sul.

A técnica utiliza a polilaminina, substância desenvolvida a partir da laminina, uma proteína extraída da placenta. O composto atua reduzindo inflamações na medula, protegendo neurônios e estimulando a reconexão das fibras nervosas. A aplicação é feita em dose única, diretamente na área lesionada.

A pesquisa que embasa o tratamento é conduzida há mais de duas décadas pela UFRJ, em parceria com o Laboratório Cristália. Em dezembro do ano passado, o estudo recebeu autorização do Ministério da Saúde e da Anvisa. Desde então, outros 12 pacientes foram submetidos ao procedimento experimental, todos com algum nível de melhora funcional.

O militar sul-mato-grossense é o 13º paciente tratado. Segundo os pesquisadores, a idade favorece a recuperação, já que organismos mais jovens tendem a responder melhor aos estímulos de regeneração neural. Apesar de não haver garantia de retorno total dos movimentos, os médicos avaliam que as chances de ganho funcional são significativas, o que pode representar avanço importante na qualidade de vida do paciente.

Casos anteriores do estudo demonstraram evolução progressiva ao longo dos meses, com registros de pacientes que voltaram a movimentar membros, caminhar e retomar atividades cotidianas após períodos prolongados de reabilitação.

Por se tratar de um procedimento altamente técnico, apenas profissionais capacitados e certificados podem realizar a cirurgia. A expectativa da equipe local é viabilizar treinamentos para ampliar a oferta do tratamento em Mato Grosso do Sul, tornando o Estado referência nesse tipo de abordagem inovadora.

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