Crédito: Reprodução A diretoria da Santa Casa de Campo Grande passou por mudança em meio ao cenário de instabilidade financeira enfrentado pelo hospital. O engenheiro Jary Castro oficializou sua saída da vice-presidência da instituição após passar a ser alvo de questionamentos públicos relacionados à governança e à acumulação de funções no setor da saúde.
Ele ocupava o cargo desde 2022 e havia sido reconduzido à vice-presidência em novembro, com mandato previsto para o período de 2026 a 2028. A renúncia ocorre após críticas sobre sua atuação simultânea como dirigente do hospital filantrópico e gerente estadual da GEAP Autogestão em Saúde em Mato Grosso do Sul, função assumida em março de 2024 e considerada de dedicação exclusiva.
Embora não exista comprovação de contrato entre a Santa Casa e a GEAP no Estado, o debate público ganhou força em torno da incompatibilidade institucional e ética do acúmulo de cargos em estruturas estratégicas do sistema de saúde, especialmente em uma entidade que administra recursos públicos e presta atendimento essencial à população.
Momento delicado para o hospital
A saída ocorre em um período considerado um dos mais críticos da história recente da Santa Casa. A instituição enfrenta sérios problemas financeiros, que resultaram em atrasos no pagamento de salários, interrupções de serviços e escassez de materiais e insumos hospitalares.
No fim de 2025, a crise levou a decisões judiciais que determinaram o bloqueio e a penhora de bens e valores do hospital, além de medidas direcionadas a dirigentes e associados, como forma de garantir o cumprimento de obrigações trabalhistas.
Diante desse cenário, a permanência de membros da alta administração sob questionamentos passou a gerar desgaste institucional e ampliar cobranças por maior rigor nos critérios de gestão, controle e transparência.
Renúncia sem atribuição formal de irregularidades
Até o momento, não há registro de investigações oficiais ou ações judiciais que relacionem diretamente a renúncia de Jary Castro a irregularidades comprovadas. Também não foi confirmada qualquer relação contratual direta entre a Santa Casa e a GEAP.
Mesmo assim, a decisão de deixar o cargo tem repercussão significativa e ocorre em meio ao fortalecimento do debate público sobre ética administrativa e responsabilidade na condução de uma das principais instituições de saúde de Mato Grosso do Sul.



