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Segunda, 23 de fevereiro de 2026

PF prende ex-gestor de Selvíria suspeito de liderar desvios na Saúde pública

Investigação revela licitações fraudadas, superfaturamento e clínica inexistente.

23 de fev 2026 - 17h:34 Créditos: Redação com informações do Campo Grande News
Crédito: Divulgação

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta segunda-feira (23), o ex-secretário municipal de Saúde de Selvíria, Edgar Barbosa dos Santos, investigado por participação em um esquema de desvio de recursos públicos do Sistema Único de Saúde (SUS). A prisão preventiva foi autorizada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) e integra os desdobramentos da Operação Rastro Cirúrgico, iniciada em agosto de 2025.

Segundo as investigações, o ex-gestor é apontado como figura central em um suposto esquema que envolvia fraudes em licitações, irregularidades em contratos administrativos e peculato. As apurações indicam práticas como superfaturamento de serviços médicos, contratação com valores acima dos praticados no mercado e pagamento por procedimentos em quantidades superiores às efetivamente realizadas.

Na primeira fase da operação, a Polícia Federal cumpriu 13 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio e sequestro de bens avaliados em até R$ 5 milhões por investigado, além do afastamento de servidores públicos, incluindo o então secretário de Saúde.

Com a análise do material apreendido, surgiram indícios de outros crimes, como corrupção ativa e passiva, frustração do caráter competitivo de licitações, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. De acordo com o inquérito, médicos contratados teriam pago propina a servidores para obter vantagens em processos licitatórios previamente direcionados, nos quais a concorrência seria apenas formal.

A investigação também aponta que recursos desviados teriam sido ocultados por meio de terceiros e enviados ao exterior através de operações cambiais irregulares. Durante a operação, agentes federais apreenderam ainda armas e pedras preciosas na residência de um dos alvos.

A Justiça analisou pedido de prisão preventiva contra três investigados, mas autorizou, até o momento, apenas a detenção do ex-secretário, que já havia sido afastado do cargo na deflagração da operação.

As investigações tiveram início após suspeitas de irregularidades no Centro de Especialidades Médicas (CEM) de Selvíria. Auditorias identificaram indícios de inexecução contratual, sobrepreço e contratos duplicados para os mesmos serviços médicos, resultando em pagamentos múltiplos por procedimentos semelhantes. Em um dos casos, uma clínica contratada sequer existia.

O nome da operação faz referência à ausência de registros obrigatórios que deveriam comprovar a realização de cirurgias, como prontuários médicos e anotações hospitalares, documentos que não foram apresentados durante inspeções técnicas.

Ao final das apurações, os investigados poderão responder por organização criminosa, peculato, fraude em licitações, corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

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