A possível aprovação do fim da escala de trabalho 6x1 no Congresso Nacional tem gerado preocupação entre especialistas e representantes do setor produtivo, que avaliam impactos negativos nas dinâmicas do mercado de trabalho brasileiro, especialmente nos setores de comércio, serviços e indústria.
Entidades empresariais alertam que a principal consequência seria a queda da produtividade. Com a redução da jornada semanal, afirmam, a produção de bens e serviços tende a diminuir, o que pode resultar em aumento de custos operacionais e repasse desses valores ao consumidor final.
De acordo com Fernando Guedes, presidente-executivo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), a produtividade do trabalhador brasileiro já é considerada baixa em comparação internacional. Segundo ele, reduzir a carga horária sem avanços estruturais pode intensificar os efeitos negativos sobre a economia.
Um estudo da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) aponta que a redução da jornada para até 40 horas semanais, sem ganhos de produtividade, poderia provocar uma queda de até 16% na atividade econômica, além de afetar diretamente o faturamento dos setores produtivos.
O setor industrial também alerta para um efeito em cadeia nos preços. Sem margem para absorver os custos adicionais, empresas afirmam que seriam obrigadas a reajustar valores. Um exemplo citado pelo setor calçadista mostra que um produto com custo de produção de R$ 50 poderia chegar ao consumidor por cerca de R$ 149, caso houvesse aumento de 12% nos custos.
Para representantes do comércio e dos serviços, a proposta avançou sem um debate aprofundado sobre a realidade do mercado de trabalho, marcado por baixa produtividade e limitações financeiras das empresas para absorver mudanças estruturais.
Especialistas destacam que a produtividade está diretamente ligada a fatores como escolaridade, qualificação profissional e acesso à tecnologia, que precisariam avançar antes de qualquer redução significativa da jornada. Caso contrário, avaliam, o crescimento econômico pode ser comprometido.
O governo federal, por outro lado, considera o tema prioritário em 2025 e defende que a medida busca melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, argumento que segue em discussão no Congresso Nacional.



