Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que julga os supostos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, afirmou nesta terça-feira (24), no Supremo Tribunal Federal (STF), que as provas reunidas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) indicam de forma clara a responsabilidade dos irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão pelo crime.
Durante sessão da Primeira Turma da Corte, Moraes declarou que os elementos apresentados pela acusação não deixam dúvidas sobre a participação dos investigados na execução do plano criminoso. Segundo o relator, Domingos e Chiquinho Brazão teriam atuado como mandantes, enquanto o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula participou do monitoramento da vítima e o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, teria auxiliado na articulação do crime.
Também figura entre os réus o ex-policial militar Robson Calixto, apontado como responsável por fornecer a arma utilizada na execução. Todos os acusados estão presos preventivamente.
De acordo com a denúncia baseada, entre outros elementos, na delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa — que confessou ter efetuado os disparos — o assassinato estaria ligado aos interesses econômicos de um grupo criminoso envolvido em grilagem de terras, loteamentos irregulares e exploração imobiliária ilegal no Rio de Janeiro.
Ao apresentar o relatório do caso, Moraes destacou que as investigações ouviram nove testemunhas de acusação e 46 de defesa. Conforme a PGR, organizações criminosas associadas a milícias utilizavam áreas ocupadas irregularmente como base política e econômica, beneficiando campanhas eleitorais dos irmãos Brazão.
Segundo o ministro, Marielle Franco teria se tornado uma das principais opositoras desses interesses, o que teria motivado o crime com dois objetivos: eliminar resistência política e intimidar outros opositores.
O relator também mencionou que Rivaldo Barbosa assumiu o comando da Polícia Civil do Rio de Janeiro na véspera do crime e teria interferido na condução das investigações, inclusive com tentativa de direcionar responsabilidades a terceiros.
Ao concluir a leitura do relatório, Moraes reiterou que, diante das provas apresentadas, os irmãos Brazão devem ser responsabilizados como mandantes do homicídio, com participação direta dos demais acusados.



