A Defensoria Pública do Estado de Goiás ingressou com uma ação judicial contra dez veículos de comunicação brasileiros, alegando que a cobertura e a repercussão digital de um crime ocorrido em Itumbiara (GO) resultaram na exposição indevida da mãe das vítimas a ataques virtuais. O órgão pede a retirada de publicações e comentários relacionados ao caso, além de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 1 milhão e retratação pública.
O processo foi protocolado por meio do Núcleo Especializado de Defesa e Promoção dos Direitos da Mulher e tramita na 31ª Vara Cível de Goiânia, onde aguarda decisão judicial.
Alegação de linchamento virtual
Segundo a Defensoria, conteúdos divulgados após o crime — no qual Sara Araújo teve os filhos assassinados pelo ex-marido — teriam deslocado o foco da violência praticada pelo agressor para aspectos da vida pessoal da mulher. Na avaliação do órgão, esse direcionamento contribuiu para um ambiente de ataques e julgamentos morais nas redes sociais.
O documento aponta que comentários publicados em sites e perfis digitais teriam incentivado discursos de ódio, sem a devida moderação por parte das empresas de comunicação. Para a instituição, a ausência de controle sobre essas manifestações ampliou a exposição da vítima em um momento de extrema fragilidade emocional.
Além disso, a ação sustenta que alguns conteúdos teriam divulgado imagens e vídeos da intimidade da mulher, o que, segundo a Defensoria, reforçou narrativas ofensivas e caracterizou revitimização.
Pedido judicial e objetivo da ação
A Defensoria afirma que a medida busca interromper a continuidade da exposição e responsabilizar os responsáveis pela manutenção dos conteúdos considerados prejudiciais. O órgão destaca que não atua como representante direta da vítima, mas em defesa de interesses coletivos e sociais.
Caso a indenização seja concedida, o valor solicitado deverá ser destinado a fundos públicos voltados à proteção de direitos coletivos, administrados por conselhos federais ou estaduais.
Veículos citados
A ação judicial inclui empresas como CNN Brasil, Globo Comunicação e Participações, Record TV, Metrópoles, Televisão Anhanguera, TV Serra Dourada, entre outros grupos de mídia.
Procurada, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) informou que não comentará o caso neste momento. Os veículos mencionados ainda podem apresentar manifestação no processo.



