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Quarta, 25 de fevereiro de 2026

Novo sorgo gigante chega ao campo para reforçar alimentação do rebanho brasileiro

Híbrido desenvolvido pela Embrapa combina alta produtividade, rebrota vigorosa e múltiplos usos na pecuária.

25 de fev 2026 - 11h:01 Créditos: Redação com informações do Campo Grande News
Crédito: Latina Seeds

Uma nova variedade de sorgo forrageiro gigante começa a ganhar espaço no campo brasileiro como alternativa estratégica para garantir alimento ao rebanho diante das mudanças climáticas e do aumento dos custos de produção. Desenvolvido em parceria entre a Embrapa e a iniciativa privada, o híbrido BRS 662, comercializado como LAS6002F, reúne características que prometem elevar a eficiência da pecuária nacional.

A cultivar foi criada para oferecer maior estabilidade produtiva, ciclo mais curto e versatilidade de uso, podendo ser cultivada tanto na primeira quanto na segunda safra. A proposta é ampliar a oferta de volumoso de qualidade ao longo do ano, reduzindo riscos para produtores que dependem da alimentação animal contínua.

Produtividade elevada e rebrota eficiente

Entre os principais diferenciais do novo sorgo está o alto rendimento. Em condições adequadas de manejo, a cultura pode ultrapassar 80 toneladas de forragem por hectare em um único corte, com ciclo produtivo de até 125 dias.

Após a colheita, a planta apresenta vigorosa capacidade de rebrota, alcançando até 60% da produção inicial, o que contribui para diminuir custos operacionais e melhorar o aproveitamento da área cultivada.

Com porte que varia entre quatro e cinco metros de altura, o híbrido foi desenvolvido com maior resistência ao acamamento — situação em que a planta tomba devido ao vento ou ao peso — além de apresentar tolerância a doenças fúngicas importantes, como antracnose, helmintosporiose e cercosporiose.

Uso múltiplo amplia potencial econômico

O sorgo gigante também se destaca pela diversidade de aplicações. A composição da forragem, com altos níveis de celulose e hemicelulose e menor teor de lignina, favorece a digestibilidade e melhora a qualidade da silagem utilizada na alimentação animal.

Além do uso pecuário, o material pode ser destinado à produção de biogás e cogeração de energia, ampliando as possibilidades de renda dentro das propriedades rurais.

Crescimento do sorgo acompanha demanda da pecuária

O lançamento ocorre em meio à expansão do cultivo de sorgo no Brasil, impulsionada principalmente pela maior resistência da cultura à seca em comparação ao milho. O avanço está diretamente ligado ao tamanho do rebanho nacional, que ultrapassa 238 milhões de cabeças de gado, elevando a demanda por alimentos volumosos.

Segundo representantes do setor, o objetivo é profissionalizar o mercado do sorgo forrageiro, aproximando-o do modelo já consolidado em culturas como milho e soja, com comercialização de sementes baseada em unidades e não mais por peso.

Produção inicial e perspectivas

Na safra de estreia, foram produzidas cerca de 10 mil sacas de sementes, distribuídas em diferentes regiões do país e também destinadas à exportação. A expectativa é alcançar mais de 30 mil hectares cultivados já no próximo ciclo agrícola.

As sementes chegam tratadas industrialmente contra pragas e doenças, e o manejo recomendado inclui análise de solo, monitoramento de insetos e proteção foliar para garantir maior produtividade e qualidade da silagem.

Especialistas avaliam que o avanço do sorgo reflete uma transformação gradual na agricultura brasileira, na qual culturas mais resilientes ganham protagonismo diante da instabilidade climática. Nesse cenário, a genética e a pesquisa agropecuária surgem como fatores decisivos para a competitividade e segurança alimentar da pecuária nacional.

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