Crédito: Divulgação/PCI-MS Uma pesquisa desenvolvida por um perito médico-legista de Mato Grosso do Sul propõe uma nova abordagem científica para auxiliar investigações de mortes provocadas por arma de fogo. O estudo sugere o uso de pupários de insetos, estruturas deixadas por moscas após seu ciclo de desenvolvimento, como ferramenta complementar para identificação de resíduos de disparo.
O trabalho foi conduzido por Guido Vieira Gomes, chefe do Núcleo Regional de Medicina Legal (NRML) de Dourados, vinculado à Polícia Científica do Estado, e publicado na revista científica Orbital, periódico do Instituto de Química da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Método amplia possibilidades periciais
A pesquisa, baseada na tese de doutorado defendida pelo especialista em 2025, investiga a presença de elementos químicos típicos de resíduos de tiro em remanescentes entomológicos encontrados no local onde corpos foram expostos à decomposição.
Os pupários — estruturas rígidas que permanecem no ambiente mesmo após a decomposição avançada do cadáver — podem preservar vestígios químicos relevantes quando outros materiais biológicos já não estão mais disponíveis para análise.
De acordo com o pesquisador, a técnica surge como alternativa especialmente útil em casos envolvendo corpos esqueletizados ou em estágio avançado de decomposição, situações em que a determinação da causa da morte costuma ser mais complexa.
Integração entre ciência e investigação
Os testes realizados demonstraram que esses resíduos biológicos podem conter traços químicos compatíveis com disparos de arma de fogo, ampliando o conjunto de evidências disponíveis para a perícia criminal.
Segundo Guido Vieira Gomes, a iniciativa nasceu da experiência prática na medicina legal e busca fortalecer a conexão entre produção acadêmica e atuação pericial. A expectativa é que a metodologia contribua para laudos mais precisos e para o esclarecimento de investigações complexas.
O estudo completo está disponível para consulta pública no portal de periódicos científicos da UFMS.



