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Terça, 02 de junho de 2020

Você sabe de onde vem o seu alimento?

25 de Mar 2019 - 20h:20

Ir ao supermercado, feira livre ou na frutaria são alternativas para quem não produz ou procura diversificar ou colorir o cardápio, mas você já se perguntou de onde vem e como é produzido o alimento que consumimos diariamente? 

Se você mora na cidade, provavelmente sabe onde procurar alimentos frescos para o consumo do dia-a-dia, mas sabe também que nem sempre encontrará produtos com a qualidade, preço e a disponibilidade esperada.

Morar na cidade tem muitos benefícios, mas em certos casos também somos privados de algumas vantagens que somente quem mora na zona rural pode ter, com por exemplo, produzir o próprio alimento. É fato que alguns itens até conseguimos cultivar em um canteiro no fundo do quintal, mas ainda assim temos limitações.

Diversas são as formas de produzir e comercializar alimentos, mas destaco aqui a Agricultura Familiar que, segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário, é responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa das famílias brasileiras.

Em Dourados a grande maioria dos hortifrúti comercializados no município, os chamados FLV (Frutas, Legumes e Verduras), são trazidos de estados vizinhos como São Paulo, Paraná e Santa Catarina e apenas uma pequena parte é produzida na região por cerca de 58 produtores que variam seu portfólio entre tomate, abobrinha, berinjela, acelga, alface, rúcula, agrião, almeirão e cheiro verde. Outras variedades e até mesmo a quantidade desses produtos são ofertados de acordo com a época do ano.

Além dos FLV’s, segundo dados oficiais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (SEMAGRO) em 2017 o município produziu 7.200 toneladas de arroz, 750 toneladas de feijão, 6.000 toneladas de mandioca e 60 toneladas de tomate, todos esses alimentos considerados básicos no cardápio do brasileiro e do sul mato-grossense não são capazes de atender toda a demanda.

A produção total da Agricultura Familiar hoje em dia corresponde a 10% do PIB nacional e por 77% das ocupações produtivas e empregos no campo. Mesmo com a sua importância, são vários os obstáculos que restringem o desenvolvimento da atividade, alguns deles são: a escassez de terra principalmente, a falta de assistência técnica e a insuficiência de recursos financeiros.

Para driblar algumas dessas dificuldades enfrentadas pelos produtores rurais, surgem novas modalidades que o aproximam do consumidor, diminuindo assim as barreiras e fortalecendo os laços comerciais e de confiança, estou falando das CSA´s (Comunidades que Sustentam a Agricultura).

Apesar de ainda não possuir nenhuma CSA em Dourados, esta é uma modalidade que incentiva o consumo por meio da aproximação do consumidor com o produtor e o seu principal diferencial está no fato de podermos, enquanto consumidores, participar do processo produtivo lá no campo, colocando a mão na terra para o preparo do canteiro, plantando a semente, regando as plantas e até mesmo fazendo a colheita.

Como o próprio nome já diz, é o consumidor quem sustenta (pagando uma mensalidade) essa produção e ainda tem a chance de levar seus familiares para conhecer o lugar de onde está vindo o alimento de cada dia. Uma vez por semana as cestas contendo os produtos específicos daquela época do ano são entregues em um local pré-estabelecido, como por exemplo, um centro de distribuição, uma praça pública ou um parque.

Está ai uma boa oportunidade para sair de casa, manter contato físico com a natureza e apresentar aos filhos e demais familiares um pouco da Agricultura Familiar. Nestes momentos de “lazer” também ocorre o compartilhamento de experiências e a possibilidade de conhecer novas culturas e pessoas.

Que tal a ideia? Eu adoraria sujar as mãos de terra e uma vez por semana passar uma tarde agradável com meus filhos e esposa, e você?


Dourados, 27/02/2020.

Fábio Mascarenhas.

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