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Quinta, 03 de dezembro de 2020

Em uma semana, dobra o número de denúncias por abuso sexual contra médico de SP

Abib Maldaun Neto, que nega abusos, já foi condenado pelo TJ, mas conselho não cassou registro profissional. Ministério Público disponibilizou canal direto por e-mail para receber relatos de possíveis vítimas.

25 de Set 2020 - 16h:05 Créditos: Por Isabela Leite e Marisa Oliveira, GloboNews — São Paulo
Crédito: Médico nutrólogo é acusado de abuso sexual por pacientes em SP — Foto: Reprodução GloboNews


O número de denúncias por abuso sexual contra o médico nutrólogo Abib Maldaun Neto protocoladas no Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) dobrou no período de uma semana. A GloboNews apurou que entre terça-feira (22) e quinta-feira (24), mais quatro ex-pacientes prestaram queixa. No total, oito mulheres pedem que a licença do médico seja cassada.

Todas as mulheres acusam Abib Maldaun Neto de abusos sexuais durante consultas em seu consultório, no bairro dos Jardins, área nobre de São Paulo. Um outro ofício foi protocolado no início da semana pela deputada estadual Marina Helou (Rede Sustentabilidade-SP) pedindo o afastamento do nutrólogo das funções e será acompanhado pela Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres da Assembleia Legislativa (Alesp).

Mesmo condenado em segunda instância por violação sexual mediante fraude pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, o médico nutrólogo continua atendendo com autorização do Cremesp. Abib Maldaun Neto nega os abusos.

Em julho de 2018, o médico foi condenado em primeira instância. A defesa do nutrólogo recorreu e a condenação em segunda instância ocorreu em 30 de julho, sendo divulgada pela revista Veja e confirmada pela GloboNews.

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Após a reportagem veiculada pela GloboNews e pelo Fantástico, no último domingo (20), novas denúncias foram feitas. O Ministério Público de São Paulo disponibilizou um canal direto por e-mail para receber denúncias de pacientes envolvendo o médico. Os relatos podem ser enviados para o e-mail: somosmuitas@mpsp.mp.br e serão recebidos por uma equipe especializada, com sigilo em relação aos dados recebidos.

O mesmo e-mail foi usado pelo Núcleo de Gênero do MP-SP para receber denúncias envolvendo o médium João de Deus. Na época, foram mais de cem mensagens enviadas aos promotores de São Paulo sobre abusos contra mulheres que o procuraram em Abadiânia, em Goiás.

O secretário especial de Políticas Criminais do MP de São Paulo, Arthur Lemos, afirma que as pacientes podem se sentir seguras em procurar ajuda da Promotoria, mesmo se os abusos tiverem ocorrido há muito tempo e já estiverem prescrito. Ele explica que todas as informações podem ser usadas para compor prova e ajudar, por exemplo, em novas ações na Justiça.


Abusos durante os exames



De acordo com o relato das vítimas, os crimes ocorreram durante a realização de exames físicos. Elas dizem que procuraram atendimento com o nutrólogo pois ele era um médico renomado e que atendia celebridades. As pacientes não se conhecem, mas tiveram relatos parecidos. Elas dizem que só tiveram certeza do abuso após conversas com outros médicos e terapeutas.


Nota médico



A defesa diz que o processo tramita em segredo de Justiça para proteger a privacidade de todos os envolvidos e que a Constituição Federal consagra o princípio da presunção de inocência durante a fase de recurso.

“Mantenho a consciência tranquila, pois em décadas arduamente dedicadas à medicina jamais pratiquei qualquer ato imoral ou ilegal contra qualquer paciente ou cidadão. Sempre atuei de forma ética, integra e profissional zelando pela dignidade da honrosa profissão a qual dedico a minha vida, por esta razão sempre colaborei com o processo, comparecendo em todos os atos e me colocando à disposição da justiça a fim de que a verdade real dos fatos seja devidamente comprovada”, afirmou Abib Maldaun Neto, em nota.



Nota Cremesp



O Cremesp reitera que este o caso está sendo apurado e que todas as providências estão sendo tomadas. Contudo, o Conselho esclarece que não pode se manifestar em relação a detalhes do caso por conta de sigilo determinado por lei.

Pacientes denunciam médico por abuso sexual dentro do consultório
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