Parte das estruturas atualmente em operação no Resort Tayayá, situado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, funciona sem a devida licença ambiental, de acordo com apontamentos do Instituto Água e Terra (IAT). O empreendimento ganhou repercussão nacional nos últimos dias, após ser associado informalmente ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli.
Relatórios técnicos do órgão ambiental indicam que, ao menos desde 2021, não há autorizações válidas para a execução de obras nem para a exploração comercial de determinadas áreas do resort. As irregularidades, segundo os documentos, remontam a períodos anteriores e coincidem com a época em que familiares do ministro ainda integravam a sociedade do empreendimento.
Entre as inconsistências identificadas está a construção do edifício principal com número de pavimentos superior ao permitido para a zona onde o resort está localizado, o que levanta questionamentos sobre o cumprimento das normas urbanísticas e ambientais vigentes.
Outro ponto destacado pelo Instituto Água e Terra diz respeito à licença concedida para a ampliação do complexo. Conforme o órgão, a autorização previa apenas a realização das obras, sem permitir o início das atividades comerciais. Apesar disso, parte da estrutura teria continuado em funcionamento.
Sociedade, venda de participação e presença frequente
O resort pertence aos irmãos do ministro, José Eugênio e José Carlos Toffoli, que também tiveram participação em outro empreendimento Tayayá, localizado em São Pedro, às margens do Rio Paraná, na região de divisa com Mato Grosso do Sul. Esse segundo negócio teve como um dos sócios o apresentador Carlos Massa, conhecido como Ratinho.
Em fevereiro de 2025, os irmãos de Toffoli venderam a participação de 18% que detinham no empreendimento. Apesar de não constar formalmente como sócio, Dias Toffoli é apontado como presença frequente no local.
Relação com o Banco Master amplia questionamentos
As atenções sobre o resort se intensificaram após a revelação de que Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, investiu cerca de R$ 20 milhões no empreendimento. Vorcaro é controlador do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central em novembro do ano passado.
No Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli atua como relator de um inquérito que investiga supostas fraudes bilionárias envolvendo Vorcaro e outros empresários, além de possíveis irregularidades na relação entre o Banco Master e o BRB (Banco Regional de Brasília).
A condução do caso pelo ministro tem sido alvo de críticas e pressões, tanto de setores da sociedade quanto internamente no próprio STF, em meio ao avanço das investigações.



